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Os pontos mais graves revelados no depoimento de Daniel Vorcaro ao gabinete de André Mendonça

Ex-dono do Banco Master detalha em oitiva secreta episódios de intimidação sob custódia, barreiras impostas pela Polícia Federal e ligações com o núcleo do atual governo

O depoimento prestado pelo empresário Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco Master — ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), escancarou detalhes estarrecedores sobre os bastidores da investigação que sacode a República. A oitiva, realizada por meio de requerimento da defesa, expôs cinco eixos principais que prometem redesenhar os rumos das apurações em Brasília. 

1. Disposição para colaborar antes da prisão

O banqueiro afirmou que já manifestava interesse em firmar acordos de cooperação e relatar irregularidades muito antes de ser formalmente capturado. Segundo Vorcaro, a velocidade e o timing de sua prisão geraram estranheza e funcionaram como um mecanismo de cerceamento: “A minha prisão no dia subsequente à assinatura já é algo que é completamente fora do padrão”, declarou, apontando que já previa barreiras para contar sua versão dos fatos. 

2. Ameaças graves durante os transportes aéreos

Um dos trechos mais dramáticos do depoimento detalha episódios de intimidação física e psicológica sofridos durante as transferências sob custódia policial, de São Paulo para Brasília e durante o trajeto de helicóptero. O empresário relatou ter ouvido frases ameaçadoras de agentes e temido por sua vida no ar, com alusões diretas a represálias por “mexer com os patrões”. 

3. Conexão e atritos com Andrei Rodrigues

Vorcaro atribuiu o cerco e as barreiras enfrentadas ao fato de possuir informações sensíveis e vínculos com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. No depoimento, o ex-banqueiro mencionou interações anteriores e viagens conjuntas, sugerindo que o conhecimento dessas ligações motivou o tratamento hostil e o isolamento imposto pelas forças policiais.

4. O ‘bloqueio’ na Polícia Federal versus abertura na PGR

O banqueiro reclamou abertamente de ter tentado negociar uma delação premiada por cerca de nove meses sem sucesso junto à Polícia Federal. Na visão de Vorcaro, os delegados demonstraram total desinteresse em ouvi-lo de maneira aprofundada. Em contrapartida, ele elogiou a postura da Procuradoria-Geral da República (PGR), destacando que os representantes do órgão mostraram disposição real de escutar os relatos. 

5. Citações a figuras do atual governo

Por fim, o empresário admitiu que sua proposta de colaboração envolve o relato de relações jurídicas e pessoais com nomes de relevância no atual governo. De acordo com Vorcaro, tais conexões foram estabelecidas como uma forma de blindagem contra ataques que vinha sofrendo, mas acabaram cruzando linhas de ilicitude que ele agora pretende detalhar à Justiça para esclarecer o esquema.

Fonte: Veja

*Imagem da capa gerada por IA

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