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Quem manda na Venezuela? Conheça os nomes por trás do regime chavista.

Nos últimos 25 anos, o controle político da Venezuela permaneceu concentrado em uma única corrente: o chavismo, que atualmente atravessa um de seus momentos de maior instabilidade, em meio ao reforço da presença militar norte-americana na região do Caribe.

Os Estados Unidos acusam o governo de Caracas de dirigir o Cartel de los Soles, uma suposta organização de narcotráfico que Washington classificou como grupo terrorista.

As autoridades venezuelanas rejeitam categoricamente qualquer tipo de envolvimento.


Quem são os intocáveis que estão no núcleo do poder com Nicolás Maduro:

Diferente de Chávez, que concentrava poder e carisma, Maduro precisou dividi-lo diante da forte oposição popular e da crise econômica crônica.

Este é o perfil dos líderes chavistas que agora enfrentam sua maior crise: a escalada militar no Caribe com os EUA, que acusam o regime de narcoterrorismo. 


Nicolás Maduro

Em 1999, Maduro estreou na política ao ser eleito para a Assembleia Nacional Constituinte e, em seguida, como deputado federal.

Ex-motorista de ônibus e sindicalista, subiu rápido no chavismo por sua fidelidade a Chávez: tornou-se chanceler em 2006 e vice-presidente em 2012.

Doente, Chávez o designou sucessor. Após a morte do líder, em 2013, Maduro assumiu interinamente e, um mês depois, venceu por margem mínima Henrique Capriles nas eleições presidenciais. Permanece no cargo desde então.

Sancionado pelos EUA em 2017, foi acusado em 2020, no governo Trump, de narcoterrorismo e corrupção como suposto chefe do Cartel de los Soles.

Caracas nega as acusações e a própria existência do cartel como organização criminosa.


Diosdado Cabello

Visto por muitos como o “número 2” do chavismo, Diosdado Cabello esteve ao lado de Maduro na última aparição pública de Chávez, em 2012, e é um dos poucos líderes que acompanharam o comandante desde o início, junto com Maduro e o general Vladimir Padrino López.

A ONG Provea acusa Cabello de anos de “confronto e perseguição contra defensores dos direitos humanos”, forçando a maioria das organizações a reduzir sua atuação pública e adotar medidas extremas de proteção.

Hoje ministro do Interior, Justiça e Paz, ficou conhecido pela lealdade a Chávez e pelo programa “Con el mazo dando”, onde ataca opositores, faz piadas e defende o governo.

Sancionado pelo Tesouro dos EUA em 2018, tem desde 2020 uma recompensa de US$ 25 milhões oferecida pelo Departamento de Estado por sua captura.


Vladimir Padrino

Desde 2014, as Forças Armadas Bolivarianas têm um único comandante: Vladimir Padrino López.

Para o analista Murillo, Padrino “é um componente essencial da elite dominante” e, sem seu respaldo, o regime seria muito mais frágil.

A oposição contava que ele reconhecesse o triunfo eleitoral de 2024, mas o governo proclamou vitória sem mostrar as atas. Padrino manteve-se fiel. 

“O que acaba se instalando no ambiente militar é o medo do próximo passo rumo à mudança política”, afirmou Murillo.

Sancionado pelo Tesouro dos EUA em 2019, foi indiciado no mesmo ano por tráfico de cocaína, com recompensa de US$ 15 milhões. 

O ministro nega tudo, qualificando as acusações de “grave invenção”.


Delcy e Jorge Rodríguez

Em novembro de 2024, Maduro anunciou, entre risos, que ela seria também “líder da economia produtiva e de qualidade”. “Assim como Trump criou um cargo para alguém lá nos Estados Unidos, eu, seguindo o exemplo de Trump, vou criar um novo cargo aqui: chefe de eficiência econômica, chefe de qualidade e produção. Gostaram do título? Chefe. Bom, então. Aprovado”, declarou. E completou: “Ela não terá satélites no espaço, mas ela tem cérebro, meu amigo, que é o que precisamos”.

Seu irmão, Jorge Rodríguez, preside a Assembleia Nacional e foi o arquiteto das leis mais repressivas do regime. Relatório da ONU afirma que, sob sua gestão, o Parlamento tem sido “fundamental na aprovação de novas leis que restringem o espaço cívico e democrático sem um debate genuíno e democrático”.

Jorge também conduziu as negociações com Washington: primeiro com Biden antes das eleições de 2024 e depois com Trump, para troca de presos, repatriação de migrantes e renovação da licença da Chevron em 2025.

Ambos os irmãos foram sancionados pelo Tesouro dos EUA em 2018; Delcy também recebeu sanções da União Europeia em 2024.


Procurador-Geral Tarek William Saab

Tarek William Saab construiu uma extensa trajetória no PSUV: foi deputado, integrante da Constituinte, governador e defensor do povo.Em 2017, assumiu a Procuradoria-Geral da República no lugar de Luisa Ortega Díaz.

Para Oscar Murillo, coordenador-geral da Provea, Saab “apoiou o processo revolucionário de (Hugo) Chávez”, mas sua gestão à frente do Ministério Público não tem priorizado as vítimas. “(Na Venezuela) existe medo e terror de denunciar crimes, e isso reflete negativamente na Procuradoria-Geral da República”, afirmou Murillo à CNN.


Elio Estrada

A Milícia Bolivariana, criada por Hugo Chávez em 2008, ganhou destaque nas atuais tensões entre Washington e Caracas após Nicolás Maduro ordenar uma mobilização em massa dessa força paramilitar, cujo efetivo e capacidade real permanecem incertos.

Desde 2023, o comando está nas mãos de Elio Estrada, ex-diretor da Polícia Nacional Bolivariana. Em setembro, os Estados Unidos o sancionaram por sua atuação na repressão e detenção de opositores nos protestos pós-eleitorais de 2024.

Estrada também é alvo, desde 2019, de investigação por um painel de especialistas da ONU por presuntas violações de direitos humanos.


Alexander Granko

Alexander Granko, diretor de Ações Especiais da Contra-Inteligência Militar (DGCIM), também é alvo do mesmo painel de especialistas da ONU e foi sancionado pelos Estados Unidos em 2019 por “abusos sistemáticos dos direitos humanos e repressão à dissidência”.

A DGCIM e o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) são considerados dois dos “pilares duradouros da repressão” no país, segundo relatório conjunto da Robert F. Kennedy Human Rights e do Foro Penal venezuelano, responsáveis por desaparecimentos forçados inseridos em uma “estratégia governamental para demonstrar poder”.

Por sua vez, o Conselho de Direitos Humanos da ONU concluiu que “o Sebin e a DGCIM faziam parte de uma máquina concebida e implantada para executar o plano do governo de reprimir a dissidência e consolidar seu próprio controle do poder”.


Yván Gil

Yván Gil, que foi ministro da Agricultura em 2013, assumiu a Chancelaria venezuelana em 2023 e conduz a diplomacia com absoluta fidelidade ao regime de Maduro.

Após as eleições de 2024, rejeitadas por grande parte da comunidade internacional, Gil saiu em defesa do governo e acusou a oposição de tentar um golpe de Estado.

Na atual escalada de tensões, o chanceler sustentou que o Tren de Aragua, classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista, é “uma ficção”.


Elvis Amoroso e Caryslía Rodríguez

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) são os dois principais esteios institucionais que sustentam o poder de Nicolás Maduro diante das denúncias internacionais de fraude e violações de direitos humanos.

À frente deles estão dois fiéis do chavismo: Elvis Amoroso, no CNE desde 2023, e Caryslía Rodríguez, presidente do TSJ desde janeiro de 2025.

Caryslía Rodríguez comandou a anulação das primárias opositoras que consagraram María Corina Machado — premiada com o Nobel da Paz em outubro — e manteve a desqualificação da líder, hoje foragida.

Elvis Amoroso, sancionado pelos EUA em 2017, proclamou a vitória de Maduro nas eleições de 2024 sem apresentar até hoje as atas eleitorais. 

Ex-deputado e vice-presidente da Constituinte chavista de 2017, como controlador-geral cassou os mandatos de Juan Guaidó e, depois, de María Corina Machado.

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