Russia confirma bloqueio total do WhatsApp por descumprimento de legislação local e promove aplicativo estatal MAX
O governo russo implementou o bloqueio completo do WhatsApp em todo o território nacional, após meses de restrições progressivas e pressão sobre a Meta, empresa controladora do aplicativo. A medida, confirmada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, decorre da recusa da companhia em cumprir exigências da legislação russa sobre armazenamento de dados, moderação de conteúdo e conformidade regulatória.
“Devido à relutância da Meta em cumprir a legislação russa, essa decisão foi, de fato, tomada e implementada”, declarou Peskov em coletiva de imprensa. Ele recomendou aos cidadãos russos a adoção do MAX, mensageiro nacional desenvolvido pelo governo, descrito como “uma alternativa acessível, um mensageiro em desenvolvimento, um mensageiro nacional, e está disponível no mercado para os cidadãos como alternativa”.
O WhatsApp reagiu criticando duramente a ação: “Hoje, o governo russo tentou bloquear totalmente o WhatsApp em um esforço para levar as pessoas a usar um aplicativo de vigilância estatal”. A empresa destacou que a medida afeta mais de 100 milhões de usuários russos, classificando-a como um retrocesso que compromete a segurança e a privacidade das comunicações privadas.
O bloqueio foi executado por meio do regulador Roskomnadzor, que removeu domínios associados ao WhatsApp do registro nacional russo, impedindo que dispositivos no país recebam endereços IP necessários para conexão. O acesso agora depende exclusivamente de VPNs ou outras ferramentas de circumvenção.
A decisão integra uma campanha mais ampla de controle sobre infraestrutura de comunicações digitais, especialmente em contexto de guerra e eleições parlamentares previstas para 2026.
A Meta já foi classificada como “organização extremista” pela Rússia, o que facilitou restrições anteriores a plataformas como Facebook, Instagram e YouTube. Outros serviços, como Snapchat e Telegram, enfrentam bloqueios parciais ou totais.
Críticos internacionais e especialistas em direitos digitais alertam que o MAX pode funcionar como ferramenta de vigilância estatal, permitindo monitoramento de mensagens e dados dos usuários – alegação negada pelas autoridades russas.


















