Medida cautelar determinada pelo ministro Flávio Dino atinge o parlamentar e outros 29 alvos no âmbito de apuração sobre repasses públicos para a cinebiografia de Jair Bolsonaro
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (10) a proibição de que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) deixe o território nacional. A restrição severa recai também sobre a proibição de contato entre o parlamentar e os demais investigados no inquérito da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar desvios de recursos públicos e fraudes no financiamento de produções audiovisuais.

As mesmas medidas cautelares impostas a Frias foram aplicadas aos outros 29 alvos contemplados pela decisão judicial. Entre as pessoas e instituições atingidas pelas restrições estão a produtora Karina Gama e duas entidades ligadas a ela: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Esquema de repasses e auditoria da CGU
A ofensiva da Polícia Federal aponta que o grupo investigado utilizava organizações da sociedade civil para captar verbas públicas — originadas, sobretudo, de emendas parlamentares —, que posteriormente eram pulverizadas por meio de subcontratações irregulares e destituídas de comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Relatórios de auditoria elaborados pela Controladoria-Geral da União (CGU), requisitados no curso das apurações, identificaram indícios contundentes de irregularidades no direcionamento de uma emenda parlamentar no valor de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias especificamente para as entidades vinculadas a Karina Gama. O parlamentar figura nos registros do projeto como roteirista e produtor-executivo do longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia focada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo papel principal é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, embora a obra permaneça inédita.
Crimes investigados e movimentações financeiras
A investigação conduzida pela corporação policial aponta indícios da prática de diversos delitos graves, incluindo peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e constituição de organização criminosa. Levantamentos preliminares da PF revelam que a rede investigada movimentou centenas de milhões de reais e tentou ocultar os rastros dos desvios financeiros até períodos recentes.
Com a imposição das restrições de trânsito internacional e o cerco aos contatos entre os suspeitos, o STF busca blindar a instrução probatória enquanto o inquérito policial avança para esmiuçar o fluxo completo do dinheiro público direcionado ao projeto cinematográfico.
Fonte: G1
*Imagem da capa gerada por IA

















