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Testemunha revela ameaça de morte do “Careca” e mesada de R$ 300 mil a Lulinha

Em um depoimento que joga lenha na fogueira das fraudes bilionárias contra aposentados no INSS, o ex-funcionário Edson Claro Medeiros Júnior expôs nesta quinta-feira (4/12) detalhes de uma ameaça de morte sofrida nas mãos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o infame “Careca do INSS”. 

Confira a ameaça de morte:

“Vou meter uma bala na sua cabeça”, diz Careca a testemunha que acusa Lulinha “Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, vou meter uma bala na sua cabeça”, disse o Careca do INSS

Mas o que começou como uma queixa por intimidação evoluiu para uma bomba-relógio política: Claro acusa o empresário de bancar uma “mesada” de R$ 300 mil mensais a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do petista Lula da Silva, além de um repasse de R$ 25 milhões – valor cuja moeda ainda intriga a CPMI do INSS. 

Enquanto a oposição brada por investigação, a tropa de choque governista enterra a convocação de Lulinha, em um placar de 19 a 12 que cheira a blindagem descarada.

O relato de Claro, colhido em setembro pela 23ª Delegacia de Polícia de São Paulo, no bairro de Perdizes, ganhou as manchetes após vazamento à Polícia Federal. Ele se descreve como diretor-executivo da World Cannabis, empresa na qual o “Careca do INSS” seria “um grande investidor”. 

A verdade, porém, é mais sórdida: a companhia pertence majoritariamente ao próprio Antunes (90% das cotas) e a seu filho, Romeu Carvalho Antunes, de 28 anos. Convocado pela advogada do patrão para uma reunião no dia 17 de junho, Claro viu o encontro descambar para o território do crime.

“Antônio Carlos devia valores pessoais para o declarante e queria que ele lhe entregasse seus celulares, notebooks e um iPad, pois acreditava que nesses equipamentos havia dados sigilosos a seu respeito, que não queria que fossem divulgados, já que a Polícia Federal estava lhe investigando”, registra o inquérito policial, em um trecho que pinta o pânico do operador do esquema. 

A tensão explodiu quando “Antônio Carlos passou a ofender e ameaçar a vítima, razão pela qual o declarante se retirou da sala. O averiguado, então, foi até a vítima e disse: ‘Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, eu vou meter uma bala na sua cabeça’.”

Claro rebateu revelando ser colaborador da PF e fugiu do local. “A vítima respondeu que era colaborador da Polícia Federal e deixou o local. Até o presente momento, a vítima não recebeu de Antônio Carlos os valores que lhe são devidos”, prossegue o documento. 

Outro trecho alerta: “Constata-se que entre as partes existem dívidas e desacordos comerciais, resultando em discordância quanto à posse e propriedade de veículos e outros bens”. 

O depoimento, prestado em 29 de outubro à PF, não só detalha a ameaça, mas lança luz sobre os supostos fluxos financeiros: além da mesada a Lulinha, Claro menciona viagens conjuntas de Antunes e o filho do petista Lula da Silva a Portugal, sugerindo uma rede de laços que vai além do mero “investimento”.

Blindagem em tempo real: CPMI rejeita convocação de Lulinha e ignora delação

Enquanto Claro clama por proteção – ele ligou ao relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), nesta manhã, alegando “risco iminente de vida” –, o Congresso entregou mais um capítulo de impunidade.

A CPMI do INSS rejeitou nesta quinta-feira a convocação de Lulinha para depor ao colegiado. O placar foi de 19 votos a 12, com petistas e aliados desqualificando o delator como “bandido” e questionando a credibilidade de suas acusações, apesar dos indícios da PF.

O requerimento, apresentado às pressas pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) após a revelação do Poder360, citava não só o depoimento de Claro, mas também relatórios do Coaf ligando um dirigente petista, Ricardo Bimbo, a pagamentos de R$ 8,4 milhões de empresas suspeitas – coincidindo com boletos quitados ao contador de Lulinha, investigado por lavagem de dinheiro para o PCC na Operação Fim da Linha. 

“A coincidência temporal entre os repasses da ADS, os pagamentos realizados por Bimbo e o vínculo direto desse contador com Lulinha é grave e exige esclarecimento imediato”, argumentava o texto, assinado por van Hattem e aliados do Novo.

Lulinha, que vive desde meados deste ano em Madri, na Espanha, fugiu do Brasil quando o escândalo da “farra do INSS” já fervia nos holofotes. Ele atua na área de tecnologia por lá, mas nega qualquer irregularidade – assim como Antunes, preso preventivamente desde 12 de setembro por obstrução e lavagem de valores desviados da Previdência. 

A oposição, liderada por nomes como o senador Sergio Moro (União-PR), acusa o governo de usar a CPMI como teatro: “Com o decorrer das investigações, esse quebra-cabeça e as explicações estão surgindo: a fundada suspeita de que no centro dessas articulações criminosas se encontra um personagem já conhecido por envolvimento em outros crimes, em outras fraudes, que é exatamente o filho do petista Lula, o Lulinha, o Fábio Lula da Silva”, disparou Moro.

A sessão da CPMI, última antes do recesso, aprovou a convocação do governador Romeu Zema (Novo-MG), mas enterrou os pedidos contra Lulinha e o advogado-geral da União, Jorge Messias (indicado ao STF). 

O relator Gaspar pediu ao presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que notifique PF e STF sobre as ameaças a Claro, transformando o ex-funcionado em “testemunha-bomba”. 

Enquanto isso, aposentados seguem reféns de um sistema que, segundo a PF, desviou bilhões via entidades fantasmas – e cujos tentáculos parecem alcançar até o Palácio do Planalto. 

A investigação retoma em fevereiro de 2026, mas o fedor de acobertamento já paira no ar.

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