Ministro Dias Toffoli indica peritos da PF para acompanhar extração de dados no caso Banco Master na PGR
O ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira (15/1) a indicação de quatro peritos da Polícia Federal (PF) para acompanhar a extração de dados e a perícia técnica do material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master.
A decisão ocorre após controvérsias sobre a custódia e análise das provas, inicialmente mantidas lacradas no STF e depois transferidas para a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os peritos nomeados por Toffoli são: Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti. Eles terão livre acesso ao acervo probatório, composto por 39 celulares, 31 computadores e outros dispositivos eletrônicos, além de documentos, com suporte logístico da PGR para realização dos trabalhos periciais.
“Ressalto que os referidos peritos terão livre acesso ao material apreendido e deverão contar com o apoio da Procuradoria-Geral da República para acompanhamento dos trabalhos periciais”, afirmou Toffoli em despacho.
A medida representa um ajuste em relação às decisões anteriores: na quarta-feira (14), o ministro havia determinado que os aparelhos ficassem lacrados e custodiados na sede do STF, criticando a lentidão da PF em diligências. Posteriormente, autorizou a transferência direta para a PGR, que agora conduz a extração e análise, com as cautelas necessárias — como manter os equipamentos carregados e desconectados de redes telefônicas e Wi-Fi para preservar o conteúdo.
A Operação Compliance Zero investiga esquema de fraudes no Banco Master, envolvendo o empresário Daniel Vorcaro (dono do banco), com bloqueio e sequestro de bens superiores a R$ 5,7 bilhões, apreensões de veículos de luxo (BMW e Land Rover), armas, munições e relógios de alto valor.
A segunda fase, deflagrada na quarta (14), incluiu prisões temporárias, como a do cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, e buscas em endereços ligados a nomes como Nelson Tanure e João Carlos Mansur (ex-presidente da Reag Investimentos).
A decisão gerou repercussão na comunidade pericial.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) emitiu nota expressando preocupação com riscos de perda de vestígios em caso de postergação ou realização de perícias fora das unidades oficiais da PF, enfatizando que “não compete ao órgão acusador a elaboração de provas a partir da análise dos vestígios” e destacando a expertise do Instituto Nacional de Criminalística (INC) em dispositivos eletrônicos.
A indicação de peritos específicos busca equilibrar a preservação da cadeia de custódia e a efetividade da investigação, em um caso que envolve tensões institucionais entre STF, PF, PGR e outros órgãos.
O material será analisado inicialmente nas localidades das apreensões pela PF, com envio posterior dos dados à PGR.
Até o momento, não há posicionamento oficial da PGR ou da PF sobre o andamento imediato das perícias.


















