Diferenças nas notas oficiais de Alexandre de Moraes e Banco Central sobre reuniões no caso Banco Master
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, emitiu três comunicados oficiais distintos nos últimos dias para esclarecer reuniões com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em meio a polêmicas envolvendo o Banco Master.
Em todos os textos, o magistrado defende que os encontros trataram exclusivamente dos impactos da Lei Magnitsky, aplicada pelos Estados Unidos contra ele e sua família, e nega qualquer discussão sobre operações da instituição financeira.
As declarações surgem após reportagens que apontam suposta intervenção de Moraes junto ao Banco Central para facilitar a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O banco, que enfrenta acusações de fraudes, celebrou contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, o que levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses.
A primeira nota foi divulgada na manhã de terça-feira (23/12), com um erro nas datas das sanções:
“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. A primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/08; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central.”
Em resposta, o Banco Central emitiu um comunicado breve:
“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”.
Na noite do mesmo dia, Moraes divulgou uma segunda nota, ampliando o contexto das reuniões:
“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o presidente e o vice-presidente jurídico do Banco Itaú.
Além disso, participou de reunião conjunta com os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Bradesco e do Itaú.
Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito.”
A terceira nota, publicada na quarta-feira (24/12), corrigiu as datas das sanções e reforçou negações sobre contatos telefônicos:
“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky. A primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/07; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição Master-BRB perante o Banco Central.”
Essas variações sutis nas notas oficiais intensificam o debate público sobre transparência institucional, possíveis pressões no setor financeiro e implicações da Lei Magnitsky no Brasil.
Temas como Alexandre de Moraes, Banco Master, Banco Central, Lei Magnitsky e conflito de interesses dominam as discussões no cenário político e econômico nacional.


















