Em meio a uma crescente crise diplomática com aliados europeus, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua participação no Fórum Econômico Mundial 2026 em Davos, na Suíça, para criticar a Dinamarca e reforçar a posição americana sobre a Groenlândia.

PRINCIPAIS FALAS DE TRUMP EM DAVOS:
-Não irei usar a força, só quero a Groenlândia, diz Trump em Davos
-Trump diz buscar “negociações imediatas” sobre a Groenlândia
-“Tudo que eu peço é esse pedaço de gelo”, diz Trump sobre Groenlândia
-“Fomos estúpidos em devolver a Groenlândia”, diz Trump
-Europa “não está na direção certa”, diz Trump
-Trump ironiza óculos escuro de Macron em discurso de Davos: ‘lindo óculos, mas o que aconteceu?’
DINAMARCA É INGRATA
Durante o pronunciamento nesta quarta-feira (21), Trump qualificou o país escandinavo como “ingrata” e afirmou que “nenhuma nação ou grupo de nações está em condições de garantir a segurança da Groenlândia, a não ser os Estados Unidos”, intensificando as tensões geopolíticas que dominam o evento global.
“Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos (alemães, durante a 2ª Guerra Mundial) conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora”, disse.
TRUMP DESCARTA AÇÃO MILITAR MAS QUER COMPRAR A GROENLÂNDIA
Ante aos alertas de uma ação militar na Groenlândia, no entanto, disse que não fará o “uso da força” para tomar o território, mas ameaçou retaliações à Otan.
“Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, discursou Trump. “Nós nunca pedimos nada mais, então eles têm uma chance. Vocês podem dizer sim, e nós apreciaremos muito, ou vocês podem dizer não e nós lembraremos que uma América forte e segura significa uma Otan forte”.
“Tenho respeito tremendo às pessoas da Groenlândia e da Dinamarca, mas acredito que nenhum outro país consegue manter a segurança da Groenlândia a não ser os Estados Unidos. A Groenlândia está sem defesa em uma localização estratégica”.
O discurso de Trump em Davos ocorreu após um atraso na viagem causado por um “pequeno problema elétrico” no avião presidencial, forçando a troca de aeronave e o cancelamento de uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
CONQUISTAS INTERNAS E GRATIDÃO
Apesar do imprevisto, o republicano manteve a agenda e iniciou sua fala destacando conquistas internas, chamando de economia “em expansão” e a declaração de que “a inflação foi derrotada”. Ele também mencionou o fechamento da “fronteira aberta e perigosa” e afirmou: “As pessoas estão indo muito bem, estão muito satisfeitas comigo”.
Trump expressou “enorme respeito tanto pelo povo da Groenlândia quanto pelo povo da Dinamarca”, mas criticou duramente a nação europeia, argumentando que “todo aliado da Otan tem a obrigação de ser capaz de defender seu próprio território”.
Ele lembrou a invasão alemã à Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial, quando os EUA defenderam a Groenlândia, mas a devolveram posteriormente — uma atitude que qualificou como “estúpido” por parte dos americanos e “ingrata” por parte dos dinamarqueses.
MIGRAÇÃO DESCONTROLADA/ VENEZUELA
O presidente americano também abordou temas como a “migração em massa descontrolada” na Europa, alertando que certos lugares do continente “não são mais reconhecíveis”. Ele defendeu a imposição de tarifas sobre países estrangeiros para “pagar pelos danos” causados, embora especialistas ressaltem que esses custos recaem sobre importadores e consumidores nos EUA.
Além disso, Trump celebrou a recente operação militar na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, e anunciou a aquisição de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, afirmando: “Assim que acabamos o ataque [na Venezuela], disseram: ‘Vamos fazer um acordo’. Mais gente tinha que fazer isso”. Ele prometeu que o país sul-americano “vai ter um desempenho fantástico” sob nova influência.
As declarações de Trump sobre a Groenlândia — território autônomo dinamarquês estratégico para segurança global — agravaram a crise diplomática com Europa. Nas últimas semanas, o presidente ameaçou tarifas contra oito países da Otan, incluindo Dinamarca, Reino Unido e França, em retaliação à oposição à ideia de anexar a ilha ártica. Isso provocou volatilidade nos mercados e respostas firmes de líderes europeus.
COMISSÃO EUROPEIA
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a “autonomia estratégica” do bloco e criticou o uso de segurança como pretexto para tarifas, afirmando: “A Europa prefere o diálogo, mas está totalmente preparada para agir, se necessário”.
Ela destacou a necessidade de uma “economia forte, um mercado único e uma base industrial robustos” para enfrentar desafios globais. Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertou que as medidas americanas minam as relações transatlânticas e prometeu defesa contra “qualquer forma de coerção”.
FRANÇA
O presidente francês, Emmanuel Macron, preferiu “o Estado de Direito à brutalidade” e sugeriu instrumentos de retaliação, como uma “bazuca comercial”. No Reino Unido, a chanceler do Tesouro, Rachel Reeves, não descartou tarifas retaliatórias, embora busque preservar o acordo comercial com os EUA. O premier belga, Bart De Wever, foi ainda mais direto, dizendo que a Europa não pode ser uma “escrava miserável” de Trump.
REDES SOCIAIS
Antes do discurso, Trump já monopolizava debates nas redes sociais, compartilhando imagens geradas por IA com a bandeira americana na Groenlândia e legendas como “Território dos EUA. Fundado em 2026”.
Autoridades americanas, como o secretário do Tesouro Scott Bessent, pediram paciência aos europeus, enquanto o governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a resposta europeia como “patética” e “constrangedora”.
O Fórum Econômico Mundial em Davos reúne cerca de 3 mil participantes de 130 países, incluindo 65 chefes de Estado, mas este ano o foco移 para contenção de danos diplomáticos.
A União Europeia discute reviver tarifas de € 93 bilhões sobre produtos americanos, suspensas após um acordo em 2025.
Analistas veem risco de guerra comercial transatlântica, com impactos na economia global e na Otan.


















