Alta da inadimplência e maior concessão de empréstimos a pessoas físicas explicam o aumento da diferença entre custo de captação e juros cobrados; rentabilidade dos bancos brasileiros segue acima da média internacional
O spread bancário — diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram dos clientes — voltou a subir com força e atingiu o maior patamar desde pelo menos 2013, início da série histórica do Índice de Custo de Crédito (ICC) do Banco Central.

Em março deste ano, o spread chegou a 15,17 pontos percentuais, alta de 3,46 pontos em relação ao final de 2020. Quando considerado apenas o cálculo sobre novos empréstimos, o indicador atingiu 21,84 pontos percentuais, o maior desde março de 2017.
O spread representa o ganho bruto dos bancos nas operações de crédito. A partir dele, as instituições cobrem despesas administrativas, impostos, eventuais calotes e ainda geram lucro.
Segundo especialistas, o principal motivo para a expansão do spread é a combinação de inadimplência elevada (atualmente em 4,3% para calotes acima de 90 dias) com o forte crescimento do crédito concedido a pessoas físicas, especialmente nas modalidades mais arriscadas, como crédito pessoal e cartão de crédito.
Apesar da inadimplência maior, a rentabilidade do setor financeiro, medida pelo ROE (Return on Equity), subiu para quase 17% no primeiro semestre de 2025, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. Nos últimos 16 anos, os grandes bancos brasileiros registraram ROE médio de 17,4%, bem acima dos 11% observados nos principais bancos americanos.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) defende que o nível de rentabilidade está alinhado ao de outros países emergentes e abaixo de nações como México, Peru e África do Sul.
Fonte: Jornal de Brasília


















