Análise de ex-embaixador e dados de monitoramento indicam que postura combativa do governo brasileiro tensionou canais de negociação e abriu margem para retaliação comercial de Washington
A escalada da crise comercial entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou um novo componente de análise técnica e política. Diplomatas e especialistas em comércio exterior apontam que o recente tarifaço imposto pela gestão de Donald Trump não se baseia apenas em protecionismo de mercado, mas reflete também o severo desgaste na relação pessoal e ideológica entre os chefes de Estado.

Um balanço detalhado sobre as manifestações públicas do Palácio do Planalto revela que, ao longo dos últimos três anos, o petista Lula da Silva disparou críticas ou menções controversas direcionadas a Trump em pelo menos 62 ocasiões. Para analistas da cena internacional, essa insistência no enfrentamento discursivo acabou cobrando o seu preço na mesa de negociações econômicas.
De acordo com o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, o governo federal cometeu um erro estratégico ao conduzir a resposta institucional às barreiras alfandegárias sob um viés puramente político e eleitoral. Em avaliações sobre o cenário atual, o diplomata ponderou que o ambiente global mudou para um modelo rigidamente protecionista e focado em resguardar o mercado interno norte-americano, o que exigiria do pragmatismo brasileiro uma postura técnica, e não ideológica.
Barbosa destaca que o volume acumulado de alfinetadas de Lula — que recentemente chamou propostas tarifárias de Trump em estreitos internacionais de pirataria e ironizou a postura dos EUA em relação ao mercado de minerais da China — inviabilizou a construção de pontes.
Documentos e notas oficiais emitidas por autoridades do governo americano, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, acusam formalmente o governo brasileiro de preferir o protagonismo ideológico em palanques internacionais a negociar de forma realista os interesses comerciais de sua própria população.
Com o encerramento dos prazos de justificativas e a iminência da aplicação das sobretaxas agregadas, o setor produtivo nacional teme que o Brasil permaneça isolado por falta de acordos bilaterais sólidos, enquanto concorrentes diretos conseguiram mitigar os danos fechando pactos de moderação com a Casa Branca.
Fonte: Terra Brasil Notícias


















