O ministro Alexandre de Moraes se revolta com o poder de influencers e dispara contra a perda de audiência da imprensa tradicional
O avanço incontestável da liberdade de expressão e a descentralização da informação nas redes sociais voltaram a ser alvo de duras críticas por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante uma cerimônia realizada no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP), o ministro Alexandre de Moraes expressou forte incômodo com o fato de que grande parte da população tem optado por abandonar os meios tradicionais de comunicação em favor de influenciadores digitais.
Sem esconder sua irritação com a autonomia do público em buscar fontes alternativas de notícias, o magistrado questionou a credibilidade dos criadores de conteúdo e ironizou a capacidade de alcance desses canais independentes frente aos grandes conglomerados de mídia.
“Têm mais audiência que o Jornal Nacional”: A crítica de Moraes às redes
Para o ministro, o fenômeno de migração da audiência representa um risco à narrativa hegemônica construída historicamente pela imprensa tradicional. Em seu discurso, Moraes lamentou abertamente que influenciadores consigam atrair multidões e questionar diretrizes oficiais.
“Hoje, o influencer, que ninguém nunca ouviu falar, o pessoal não tem a mínima ideia do que tá falando, fala da Guerra na Ucrânia até a derrota lamentável do Corinthians para o Coritiba ontem. Sabe comentar tudo. Esse influencer tem mais audiência do que o Jornal Nacional, do que todos os telejornais”, disparou Moraes durante o evento.
A declaração gerou forte repercussão e foi interpretada por críticos e analistas políticos como um reflexo direto da frustração das esferas de poder com a perda de controle sobre o fluxo informacional. Ao longo dos últimos anos, o ecossistema digital tem permitido que o cidadão comum escolha livremente o que consome, rompendo com o monopólio interpretativo dos grandes telejornais.
A narrativa da “bolha” e o ceticismo contra a mídia convencional
Indignado com o descrédito crescente direcionado aos veículos tradicionais de imprensa — que enfrentam quedas históricas de confiança popular —, o vice-presidente do STF comparou o comportamento dos usuários das redes a um fenômeno de alienação em massa.
- Desacreditação planejada: Segundo o magistrado, o ceticismo em relação à mídia oficial “foi trabalhado” para enfraquecer o jornalismo corporativo.
- Acusação de “lavagem cerebral”: Em tom severo, Moraes questionou o discernimento dos cidadãos que buscam narrativas fora do eixo tradicional: “Quantas pessoas vocês conhecem que não acreditam mais na mídia tradicional? E que seguem como se fosse uma religião fanática tudo o que a bolha passa como notícia. Lavagem cerebral”, afirmou.
O cerco regulatório e o debate sobre o jornalismo
A manifestação de Alexandre de Moraes ocorre em um momento sensível no tabuleiro político e jurídico brasileiro. Paralelamente às críticas aos criadores de conteúdo, o ministro e outros setores da cúpula judicial e legislativa vêm defendendo o endurecimento de regras para o ambiente digital, incluindo discussões sobre a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo — uma tentativa de frear a atuação de jornalistas independentes e produtores de conteúdo nativos da internet.
Enquanto o establishment jurídico e midiático demonstra preocupação com o pluralismo de opiniões, o público segue migrando em massa para plataformas onde a pluralidade e o contraditório desafiam o modelo tradicional de transmissão de informações.
Fonte: Revista Oeste
*Imagem da capa gerada por IA


















