Análise editorial de veículos de grande circulação aponta mea-culpa sobre como a máquina midiática colaborou para blindar e superestimar o poder do ministro do STF ao longo dos últimos anos
O avanço vertiginoso da crise institucional que paralisa o Brasil tem provocado reflexões profundas sobre as engrenagens que trouxeram o sistema político ao atual ponto de ebulição. Entre os ecos das denúncias e embates na Suprema Corte, discussões de bastidores apontam para um reconhecimento contundente dentro do próprio ecossistema de imprensa: gigantes do jornalismo nacional avaliam internamente o papel histórico desempenhado na construção, blindagem e expansão desmedida do poder político de Alexandre de Moraes.
Durante anos de intensa polarização política e de embates jurídicos voltados ao combate de ataques institucionais, a maior engrenagem de mídia do país atuou como principal sustentáculo das decisões duras, dos inquéritos de exceção e das medidas de força implementadas pela Corte.
No entanto, com o colapso atual das relações entre os Poderes — evidenciado por relatórios cruzados da Polícia Federal, pressões por impeachment e discussões sobre abusos de autoridade —, analistas e próprios veículos passam a admitir que a cobertura acrítica e a validação incondicional de medidas judiciais excepcionais ajudaram a corporificar uma estrutura de poder centralizada e imune a freios tradicionais.
O mea-culpa velado nos corredores da grande imprensa reflete a gravidade do momento em que o país se encontra. À medida que o próprio Judiciário tenta se desvencilhar de excessos — com o presidente do STF, Edson Fachin, sinalizando mudanças como o fim do inquérito das fake news e códigos de ética —, a autocrítica sobre a responsabilidade da mídia na hipertrofia de figuras centrais do poder escancara o tamanho do estrago institucional que agora exige reparação urgente em Brasília.
Fonte: Globo News
*Imagem da capa gerada por IA


















