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Operação da PF vasculha escritório de Willer Tomaz em busca de material contra Flávio Bolsonaro

Ação clandestina atribuída a setores da inteligência da corporação amplia crise institucional, revelando varredura indevida e investigações paralelas direcionadas a aliados da oposição

A Polícia Federal, ao executar mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no escritório do advogado Willer Tomaz, ampliou o alcance da diligência para além do que havia sido determinado. Segundo relato de um dos profissionais que acompanhou a operação, agentes buscaram material relacionado a Flávio Bolsonaro, que não figura como investigado no inquérito. A ação ocorreu sob a direção geral de Andrei Rodrigues, afastado nesta data do comando da PF.

Flávio Bolsonaro se manifestou sobre a denúncia, confira:

O caso está ligado à investigação envolvendo o senador Weverton Rocha (Maranhão). Willer Tomaz e o parlamentar são amigos de longa data e sócios. Flávio Bolsonaro não tem qualquer vínculo com os fatos apurados. Mesmo assim, a equipe policial demonstrou interesse específico em documentos sobre bens imóveis localizados no Rio de Janeiro.

Em petição sigilosa encaminhada ao gabinete de André Mendonça e obtida pelo site Claudio Dantas, o advogado Michael Cunha descreveu os acontecimentos. A busca aconteceu no dia 4 de agosto, das 6h às 15h. O delegado André Gherardi e seus agentes teriam descumprido a restrição imposta pelo ministro, que limitava a apreensão a material estritamente associado à investigação em curso. Em vez disso, realizaram uma varredura ampla no escritório, priorizando papéis ligados a Flávio.Cunha afirma que o foco principal da equipe recaiu sobre documentos de “bens imóveis localizados no Rio de Janeiro”. Ele relata que a autoridade policial e os agentes conversavam abertamente sobre a busca de imóveis e de comprovantes de pagamento a pessoas sem relação com o caso. Em diversas ocasiões, pronunciaram o nome “Flávio” e a denominação “01”.

Também mencionaram repetidamente a ilha situada em Angra dos Reis (RJ). Esse imóvel é objeto de disputa judicial entre Willer Tomaz e o jogador Richarlison, que arrolou Flávio Bolsonaro como testemunha.A PF apreendeu pastas contendo escrituras, anotações, notas fiscais e comprovantes de PIX que, segundo o advogado, não guardavam qualquer conexão com a investigação sobre Weverton Rocha.

Por volta das 8h daquela manhã, o site Metrópoles publicou fotos internas do escritório de Tomaz. Ao ser questionado, o delegado André Gherardi admitiu ter compartilhado as imagens com a coordenação da operação. Ele não identificou quem seria esse “coordenador” e afirmou que, caso tivesse havido vazamento para a imprensa, o fato não teria decorrido de sua conduta pessoal.

A decisão de André Mendonça proibia expressamente o registro de imagens internas do escritório de advocacia. Também vedava a apreensão de qualquer material protegido por sigilo profissional ou relacionado a pessoas estranhas ao objeto da diligência. Todo o acervo apreendido deveria passar por triagem prévia no gabinete do ministro.Apesar das restrições, o delegado insistiu em recolher documentação sem vínculo com o caso. Quando confrontado pelo advogado e obrigado a registrar os itens no auto de apreensão, Gherardi desistiu de algumas pastas. Ainda assim, fotografou todo o material e enviou as imagens a um destinatário identificado apenas como “coordenador” da operação.

A operação que alcançou Willer Tomaz deriva do inquérito que investiga Weverton Rocha. Flávio Bolsonaro permanece alheio a esse processo. O relato de Michael Cunha aponta para possíveis indícios de desvirtuamento do objeto do mandado pela autoridade policial e sua equipe, em desacordo com as determinações do ministro relator.A petição foi enviada ao gabinete de André Mendonça. Andrei Rodrigues, que comandava a Polícia Federal na época da diligência, foi afastado nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, da Direção Geral da corporação.A narrativa apresentada pelo advogado Michael Cunha, com base nos fatos observados durante a busca, evidencia alegações de descumprimento das limitações impostas pelo Supremo e de possível busca seletiva por informações sobre pessoa não investigada no âmbito daquele inquérito.

Fonte: Claudio Dantas

*imagem da capa gerada por IA

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