Como o controlador do Banco Master construiu alianças transversais com autoridades dos Três Poderes por meio de voos particulares, encontros, negócios e suspeitas de propinas; os mencionados rejeitam qualquer irregularidade
“Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia.” A frase foi escrita por Daniel Vorcaro em 7 de abril de 2025 para a então namorada Martha Graeff. O empresário encontra-se preso em razão das fraudes relacionadas ao Banco Master. Para se proteger politicamente e juridicamente enquanto expandia seus negócios e praticava irregularidades, Vorcaro estabeleceu alianças com políticos e autoridades de Brasília sem distinção de orientação partidária. A reconstrução dessa rede de contatos, batizada de Vorcarosfera, mostra como ele se cercou de figuras dos Três Poderes. O envolvimento inclui reuniões pontuais, festas, degustações reservadas de whisky e charutos, deslocamentos em jatinhos e indícios de pagamento de propina.

Vorcaro buscou suporte no Congresso Nacional para elevar os limites cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e potencializar sua instituição financeira. Contratou ex-ministros dos governos Lula e Bolsonaro para prestar consultorias. Realizou negócios com autoridades, penetrou no Banco Central na tentativa de convencer o órgão regulador da viabilidade de suas operações, recorreu a um banco estatal do Distrito Federal para viabilizar fraudes financeiras e formalizar a venda do Master, e acionou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) com o objetivo de se resguardar de acusações e evitar a liquidação da instituição.
Atualmente, o ex-banqueiro tenta negociar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Até o momento, no entanto, não conseguiu convencer os investigadores, pois resiste a fornecer informações além daquelas já extraídas dos celulares apreendidos.
A ferramenta interativa classifica as conexões por grau de proximidade e gravidade da relação. Quanto mais próximo do centro, mais séria a vinculação. Dentro de cada categoria, os nomes aparecem em ordem alfabética. A base de dados reúne reportagens do Estadão, investigações oficiais, documentos da Polícia Federal, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Comissões Parlamentares de Inquérito e outras informações verificadas. Os valores indicados referem-se a recursos recebidos de forma direta ou por meio de empresas e familiares; nem todas as conexões apresentam quantias associadas. De maneira geral, os citados negam ter praticado irregularidades. Detalhes das manifestações de cada um estão disponíveis nos links do infográfico original.
Categoria Propina (6 conexões)
- Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central: R$ 4.000.000,00
- Ciro Nogueira, senador (PP): R$ 6.000.000,00
- Claudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro (PL)
- Jaques Wagner, senador (PT): R$ 6.000.000,00
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB: R$ 146.000.000,00
- Paulo Sergio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central: R$ 8.000.000,00
Categoria Atuação pró-Master (10 conexões)
- Ciro Nogueira, senador (PP): R$ 6.000.000,00
- Claudio Cajado, deputado federal (PP)
- Doutor Luizinho, deputado federal (PP)
- Filipe Barros, deputado federal (PL)
- Guilherme Derrite, deputado federal (PP)
- Hugo Motta, presidente da Câmara (Republicanos)
- Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal (MDB)
- Isnaldo Bulhões, deputado federal (MDB)
- Jhonatan de Jesus, ministro do TCU
- Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central
Categoria Voos (10 conexões)
- Alexandre de Moraes, ministro do STF: R$ 80.000.000,00
- Antonio Rueda, presidente do União Brasil: R$ 6.400.000,00
- Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União
- Ciro Nogueira, senador (PP): R$ 6.000.000,00
- Fábio Faria, empresário e ex-ministro (PP): R$ 67.500.000,00
- Hugo Motta, presidente da Câmara (Republicanos)
- Isnaldo Bulhões, deputado federal (MDB)
- Nikolas Ferreira, deputado federal (PL)
- Nunes Marques, ministro do STF: R$ 6.600.000,00
- Rodrigo Gambale, deputado federal (Podemos)
Categoria Doação de campanha via cunhado (3 conexões)
- Jair Bolsonaro, ex-presidente (PL): R$ 3.000.000,00
- Lucas Gonzales, ex-deputado federal (Novo): R$ 10.000,00
- Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo (Republicanos): R$ 2.000.000,00
Categoria Whisky, charutos, vinhos e festas (11 conexões)
- Alexandre de Moraes, ministro do STF: R$ 80.000.000,00
- Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF
- Benedito Gonçalves, ministro do STJ
- Ciro Nogueira, senador (PP): R$ 6.000.000,00
- Doutor Luizinho, deputado federal (PP)
- Hugo Motta, presidente da Câmara (Republicanos)
- Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal (MDB)
- Isnaldo Bulhões, deputado federal (MDB)
- Marcos Pereira, deputado federal e presidente do Republicanos
- Paulo Gonet, procurador-geral da República
- Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do STF: R$ 6.300.000,00
Categoria Negócios (15 conexões)
- ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil: R$ 5.400.000,00
- Alexandre de Moraes, ministro do STF: R$ 80.000.000,00
- Antonio Rueda, presidente do União Brasil: R$ 6.400.000,00
- Ciro Nogueira, senador (PP): R$ 6.000.000,00
- Dias Toffoli, ministro do STF: R$ 35.000.000,00
- Fábio Faria, empresário e ex-ministro (PP): R$ 67.500.000,00
- Fábio Wajngarten, advogado e ex-Secom (PL): R$ 3.800.000,00
- Flávio Bolsonaro, senador (PL): R$ 61.000.000,00
- Guido Mantega, economista e ex-ministro (PT): R$ 14.000.000,00
- Henrique Meirelles, economista e ex-ministro (MDB): R$ 18.500.000,00
- Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal (MDB)
- Michel Temer, ex-presidente (MDB): R$ 10.000.000,00
- Nunes Marques, ministro do STF: R$ 6.600.000,00
- Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do STF: R$ 6.300.000,00
- Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania (Republicanos): R$ 11.000.000,00
Categoria Encontros (13 conexões)
- ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil: R$ 5.400.000,00
- Alexandre de Moraes, ministro do STF: R$ 80.000.000,00
- Ciro Nogueira, senador (PP): R$ 6.000.000,00
- Claudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro (PL)
- Davi Alcolumbre, presidente do Senado (União Brasil)
- Fábio Faria, empresário e ex-ministro (PP): R$ 67.500.000,00
- Flávio Bolsonaro, senador (PL): R$ 61.000.000,00
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
- Guido Mantega, economista e ex-ministro (PT): R$ 14.000.000,00
- Hugo Motta, presidente da Câmara (Republicanos)
- Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal (MDB)
- Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República (PT)
- Michel Temer, ex-presidente (MDB): R$ 10.000.000,00
Fonte: Estadão.
*Imagem da capa gerada por IA

















