Investigação conduzida pelo Ministério Público aponta que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, utilizou premiações e apostas em massa como mecanismo sofisticado de lavagem de dinheiro e reciclagem de capitais ilícitos
A terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24), trouxe à tona detalhes surpreendentes sobre o modus operandi de esquemas financeiros complexos no país. Um dos alvos centrais da ofensiva policial e do Ministério Público é Antônio Carlos Freixo Júnior, amplamente conhecido como “Mineiro”. Apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro e delator chave do chamado Caso Master, Freixo chamou a atenção dos investigadores ao registrar um feito estatisticamente improvável: ele foi declarado “ganhador” de prêmios em loterias e apostas 570 vezes, acumulando a impressionante quantia de R$ 176 milhões.

O padrão de apostas e a suspeita de lavagem de dinheiro
De acordo com as análises detalhadas pelos investigadores do Ministério Público, o volume expressivo de vezes em que o delator figurou como premiado revela indícios claros de um padrão voltado à reciclagem de capitais. A investigação aponta que a utilização de bilhetes premiados de loteria e jogos de apostas funciona como um método estratégico para converter recursos de origens ilícitas — muitas vezes movimentados por clientes do setor de combustíveis e do próprio Banco Master — em dinheiro formalmente legalizado.
As transações sob escrutínio ocorreram de maneira sistemática, evidenciando uma rede de estruturação financeira fraudulenta que usava os prêmios para dar aparência de licitude a capitais ocultos.
Conexões empresariais e repasses sob investigação
Além das premiações milionárias em loterias, a Operação Carbono Oculto 3 aprofundou-se em outras ramificações financeiras ligadas a Antônio Carlos Freixo Júnior. Os promotores identificaram repasses expressivos, como uma transferência de R$ 940 mil originada de uma das empresas de Freixo para a Wave, uma companhia cujos registros já haviam aparecido em investigações anteriores sobre fraudes e esquemas paralelos, incluindo suspeitas associadas a transações no futebol.
As autoridades continuam debruçadas sobre os documentos, contratos, mensagens e áudios apreendidos desde as fases anteriores da operação para mapear a extensão da rede de ocultação de patrimônio e identificar todos os beneficiários finais do esquema gerido pelo operador.
Fonte: O Globo
*Imagem da capa editada por IA

















