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Eles não vão voltar voluntariamente é tarde demais, alerta jornalista sobre regime que impera no Brasil 

Jornalista americano critica Globo e establishment por terem abandonado limites constitucionais por medo de Bolsonaro e afirma que reação tardia da emissora contra Moraes já não resolve o problema

O jornalista americano Glenn Greenwald afirmou que a Rede Globo e o restante do establishment brasileiro, movidos pelo temor em relação a Jair Bolsonaro, decidiram abrir mão da Constituição e das garantias legais, ultrapassando todos os limites do Poder Judiciário. Segundo ele, essa escolha criou um cenário em que ministros do Supremo Tribunal Federal concentraram poderes que não serão devolvidos de forma espontânea.

Em declarações recentes, Greenwald destacou que Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes não vão renunciar voluntariamente às atribuições extraordinárias acumuladas nos últimos anos. “Eles não vão voltar voluntariamente; por isso a Globo está indo em cima da cabeça de Moraes, mas é tarde demais”, afirmou o jornalista. Para ele, a mudança de postura da emissora — que agora critica o ministro — chega quando o dano institucional já está consolidado. Greenwald responsabiliza a Globo e setores tradicionais da política e da mídia por terem apoiado a ampliação dos poderes do STF durante o governo Bolsonaro.

Na avaliação do jornalista, o medo de ver o então presidente e seu movimento fortalecidos levou essas instituições a aceitar medidas excepcionais, inclusive violações de direitos fundamentais e limites judiciais. “Tudo era justificado para destruir o Bolsonaro e o movimento dele”, resumiu. O jornalista, conhecido pela série de reportagens da Vaza Jato, tem reiterado que a concentração de poder em torno de Moraes representa o principal risco à democracia brasileira. Ele argumenta que autoridades raramente abrem mão de poderes extraordinários quando o contexto político muda, e que a expectativa de um retorno automático à normalidade constitucional se mostrou ilusória.

Greenwald defende que a única saída viável seria o impeachment de Moraes no Senado ou alguma contenção efetiva por parte do próprio STF. Enquanto isso não ocorrer, avalia, o quadro de excessos e a erosão de garantias continuarão. As declarações foram feitas em um momento em que a Globo e outros veículos passaram a questionar publicamente decisões recentes do ministro, inclusive envolvendo o sigilo de fontes jornalísticas.

*Imagem da capa gerada por IA

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