Encerramento das atividades produtivas afeta cerca de mil trabalhadores diretos e terceirizados; prefeita Janete Aparecida afirma que a prioridade é mitigar os impactos sociais e econômicos, que atingem 15% do ICMS local
A indústria metalúrgica no Centro-Oeste de Minas Gerais sofreu um severo golpe nesta terça-feira, 3 de novembro. A siderúrgica Gerdau confirmou o encerramento definitivo das operações de produção de aço em sua fábrica localizada no município de Divinópolis. O anúncio veio acompanhado pelo desligamento imediato de 280 funcionários próprios, além da oferta de propostas de transferência para cerca de 120 trabalhadores rumo a outras unidades da empresa espalhadas pelo país.

Antes das demissões, a planta contava com aproximadamente 600 trabalhadores diretos. As estimativas da Prefeitura de Divinópolis indicam que o encerramento das atividades produtivas da usina gera um efeito cascata que atinge cerca de 1.000 pessoas, somando a mão de obra própria aos empregados terceirizados. Esse contingente representa aproximadamente 7,4% de todos os postos de trabalho industriais formais da cidade.
Perda de competitividade e custos motivaram decisão da Gerdau
Em posicionamento oficial emitido ao mercado, a direção da Gerdau justificou que a desativação da linha de aço em Divinópolis faz parte de um plano estratégico de reorganização e consolidação das suas operações no mercado brasileiro. A empresa citou a acentuada perda de competitividade e os custos crescentes de produção como fatores determinantes para a medida.
Entre os principais desafios apontados pela siderúrgica para justificar a inviabilidade da unidade figuram:
- Concorrência Internacional: A pressão do mercado global de aço e a entrada massiva de insumos concorrentes com preços inferiores.
- Insumos e Matéria-Prima: A ausência de fornecimento regular de minério de ferro a custos competitivos na região.
- Reorganização de Parques Industriais: Concentração do volume de manufatura em plantas operacionais modernas, com maior capacidade tecnológica e melhor estrutura de logística.
A companhia ressaltou que oferecerá treinamentos, cursos de requalificação profissional e workshops com o intuito de apoiar a recolocação dos trabalhadores desligados no mercado de trabalho local.
Prefeitura lamenta impacto e projeta plano de mitigação
A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), manifestou-se publicamente sobre o fechamento da planta siderúrgica. A chefe do Executivo municipal destacou que o foco da gestão pública se concentrará em amparar os afetados e conter os prejuízos ao erário e à cadeia produtiva comercial da cidade.
“Sabemos que essa decisão envolve questões econômicas do mercado internacional do aço, mas nossa preocupação, neste momento, é com as pessoas. Não é hora de buscar culpados nem de fazer promessas vazias, mas de tentar mitigar os impactos”, afirmou a prefeita.
Além do aspecto social e do desemprego direto, a perda da Gerdau gera um forte desequilíbrio nas contas públicas locais: a unidade operacional encerrada respondia por aproximadamente 15% de tudo o que a prefeitura de Divinópolis arrecadava com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Receio de efeito dominó sobre o comércio e serviços
O fim do ciclo produtivo da Gerdau em Divinópolis acendeu o sinal de alerta entre fornecedores, prestadores de serviços, empresas de logística e estabelecimentos comerciais localizados no entorno da fábrica. Entidades sindicais e empresariais da região estimam que centenas de pequenas e médias empresas dependiam diretamente das demandas de suprimentos da usina.
A administração municipal comunicou que está estruturando planos emergenciais para absorver a mão de obra qualificada e negociar ações de atração de novos investimentos industriais no município, buscando reverter o rombo deixado na arrecadação tributária e na renda das famílias atingidas pelo encerramento das atividades da gigante siderúrgica.
Fonte: Metrópoles
*imagem da capa editada por IA

















