Índice de Gini sobe de 0,504 para 0,511; crescimento da renda dos 10% mais ricos foi quase três vezes maior que o dos mais pobres
A desigualdade de renda voltou a crescer no Brasil em 2025, segundo dados da PNAD Contínua Rendimento de Todas as Fontes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O movimento interrompe uma sequência de três anos de redução ou estabilidade no indicador.

De acordo com o levantamento, o crescimento da renda foi bem mais forte entre os brasileiros de maior poder aquisitivo. Enquanto os 10% mais ricos tiveram alta média de 8,7% nos rendimentos em relação a 2024, os 10% mais pobres registraram avanço de apenas 3,1%.
Em 2025, o rendimento médio mensal dos mais pobres ficou em R$ 268. Já entre os 10% mais ricos, o valor chegou a R$ 9.117. No topo da pirâmide, o 1% mais rico alcançou renda média per capita de R$ 24.973, com crescimento de 9,9% no ano.
O principal indicador de desigualdade, o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Embora ainda abaixo do patamar pré-pandemia (0,543 em 2019), o dado representa a primeira alta em quatro anos.
A desigualdade também aumentou quando analisada apenas pela renda do trabalho: o Gini passou de 0,487 para 0,491.
O pesquisador do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes atribuiu parte do aumento às rendas financeiras e de aluguéis, concentradas nas classes mais altas.
Segundo o pesquisador, os juros elevados beneficiaram especialmente os domicílios de maior renda com ganhos em aplicações financeiras.
Apesar da piora na distribuição, 2025 registrou recordes em vários indicadores: rendimento médio mensal de todas as fontes chegou a R$ 3.367, rendimento do trabalho a R$ 3.560 e rendimento domiciliar per capita a R$ 2.264.
Fonte: Revista Oeste


















