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Incerteza sobre o paradeiro de Santiago Peña esquentará crise política no Paraguai com acusação de fuga para Argentina

Parlamentares de oposição alegam que o presidente paraguaio deixou o país rumo a solo argentino após renunciar, enquanto o governo de Javier Milei nega qualquer registro de entrada e Peña promete se defender do impeachment

A crise política e institucional no Paraguai ganhou contornos diplomáticos dramáticos com o impasse gerado em torno do paradeiro do presidente Santiago Peña. Após anunciar a sua renúncia ao cargo máximo do Poder Executivo em decorrência do avanço dos escândalos ligados ao Ueno Bank, parlamentares da oposição afirmaram publicamente que o mandatário teria deixado o território nacional de forma clandestina com destino à Argentina.

População afetada pelo bloqueio dos saques da poupança continua nas ruas da capital do Paraguai, assista:

Manifestantes tentaram invadir o Congresso do Paraguai durante a sessão que deliberava sobre a renúncia do presidente da República, Santiago Peña, assista:

A denúncia sobre o suposto deslocamento internacional, no entanto, foi prontamente desmentida pela Casa Rosada, que assegurou não possuir qualquer registro de ingresso de Peña em solo argentino.

Declarações da Oposição e Suposta Violação Constitucional

O anúncio sobre a possível partida do presidente paraguaio foi feito logo após o encerramento de sessões deliberativas no Congresso. O senador oposicionista Antonio Rubén Velázquez afirmou aos jornalistas que, formalmente, Peña continuava ocupando o posto de chefe de Estado e que havia informações de que ele teria saído do país sem a devida comunicação às instâncias legais.

Segundo Velázquez, o presidente paraguaio teria viajado para a Argentina na tentativa de solicitar asilo político ao governo de Javier Milei. Na mesma linha, a deputada Johanna Ortega ressaltou que a confirmação da saída não autorizada representaria uma segunda violação direta à Constituição do país.

Resposta Oficial da Argentina e Pronunciamento de Peña

Diante da repercussão internacional, o governo argentino manifestou-se por meio de fontes oficiais publicadas pelo jornal La Nación. A administração de Javier Milei declarou taxativamente que não há “nenhum registro de que ele esteja na Argentina”, descartando a presença ou a recepção formal do líder paraguaio até o momento.

Logo após a negação veiculada pela Casa Rosada, Santiago Peña divulgou uma mensagem na rede social X. Embora não tenha revelado sua localização exata, o presidente rebateu as acusações de fuga e garantiu que se apresentará formalmente perante os órgãos competentes para exercer seu direito de defesa no processo de impeachment:

“Fornecerei as informações que me forem solicitadas. A cidadania merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei”, publicou o mandatário.

Contexto da Renúncia e as Ligações com o Ueno Bank

A desestabilização da gestão de Santiago Peña — no cargo desde 2023 — está diretamente atrelada ao desdobramento de investigações envolvendo o Ueno Bank. O presidente manteve participação como acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março de 2025. A entidade apresentou uma expansão acelerada no sistema paraguaio a partir de sua conversão de financeira em banco comercial, consolidada no ano de 2023.

Entre os principais pontos levantados pela oposição e objeto das apurações estão:

  • Mudanças na legislação: Alterações promovidas nas regras sobre conflito de interesses que teriam favorecido negócios ligados ao entorno presidencial.
  • Aporte de previdência pública: Concentração irregular de centenas de bilhões de guaranis pertencentes ao Instituto de Previsão Social (IPS) no Ueno Bank, ultrapassando os limites autorizados pelo arcabouço legal vigente.
  • Pressão por impeachment e prisão: A despeito do anúncio de renúncia, congressistas opositores mantêm a pressão para a perda imediata do foro privilegiado e a abertura de processos criminais contra Peña.

Conforme a linha de sucessão prevista no ordenamento paraguaio, o vice-presidente Pedro Alliana, filiado ao Partido Colorado, desponta como o nome provável para assumir a chefia do Poder Executivo, respaldado pela rejeição prévia de um pedido de impeachment contra a sua figura na Câmara dos Deputados.

Fonte: Poder360

*Imagem da capa editada por IA

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