Material recolhido em operação policial aponta abordagens de Fernando Sarney, que teria alegado proximidade com o ministro Flávio Dino para oferecer suporte jurídico em troca de colaboração
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito das investigações que miram o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, agentes da Polícia Federal (PF) localizaram um documento de quatro páginas redigido pela empresária Karina Gama, proprietária da produtora responsável pela execução do longa-metragem. O material traz relatos detalhados sobre pressões e abordagens atípicas sofridas pela empresária para que concordasse em firmar um acordo de delação premiada envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com o registro detalhado pela produtora, um dos episódios de contato ocorreu no final do mês de maio de 2026, quando ela foi contatada por Fernando Sarney, empresário e filho do ex-presidente José Sarney. Conforme o documento apreendido pelos investigadores, Sarney teria se apresentado como alguém dotado de “grande proximidade com o ministro Flávio Dino”, oferecendo suporte jurídico e estrutural caso a empresária manifestasse interesse em ingressar em um processo de colaboração premiada.
O teor do relato e o temor de retaliações políticas
No texto sob custódia dos órgãos de persecução penal, Karina Gama explicou que a aproximação e a convergência de avisos geraram receio fundado de que sua situação jurídica pudesse sofrer interferências externas de cunho político. A empresária registrou que interlocutores sugeriram que, caso recusasse assumir eventuais irregularidades na produção do filme — o que, segundo ela, equivaleria a prestar depoimentos inverídicos —, sua pessoa poderia se tornar alvo de operações policiais iminentes.
A criadora da produtora reiterou no material formalizado que não cometeu ilicitudes na gestão dos recursos do projeto cinematográfico e que o registro escrito teve o objetivo de preservar os fatos em tempo real, documentando as pressões recebidas para posterior verificação pelas autoridades competentes.
Contrapontos e repercussão das citações
A revelação do documento encontrado pela PF intensifica o clima de tensão em torno da investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que apura repasses de emendas parlamentares e conexões de financiamento ligadas à obra audiovisual.
Questionado sobre o teor das menções presentes no arquivo apreendido, Fernando Sarney negou veementemente as acusações de que teria proposto qualquer tipo de acordo ou delação à produtora. Em manifestação pública sobre o caso, o empresário argumentou que a suposta proximidade atribuída a ele com o ministro Flávio Dino carece de sentido lógico, destacando que ambos mantiveram histórico de oposição política no estado do Maranhão ao longo dos anos. O inquérito segue sob sigilo parcial enquanto a Polícia Federal analisa o material digital e físico coletado nas diligências.
Fonte: Veja
*Imagem da capa gerada por IA


















