Documentos e mensagens obtidos em investigações expõem articulações financeiras e o trânsito de influências com o governo estadual e órgãos centrais de Brasília
Novas revelações sobre os bastidores da política nacional apontam que a lobista Roberta Luchsinger recebeu cifras expressivas — calculadas em cerca de R$ 5,9 milhões (aproximadamente R$ 6 milhões) — para atuar na intermediação de verbas e recursos federais destinados ao estado do Maranhão. Os pagamentos teriam sido acertados e viabilizados por meio de conexões com aliados próximos à gestão do governador Carlos Brandão (MDB), abrangendo negociações que transitaram por pastas estratégicas da Esplanada, como o Ministério da Saúde e a Casa Civil.

Roberta Luchsinger, sócia de Lulinha, menciona ter conseguido que o petista Lula liberasse R$ 235 milhões para a Avenida Litorânea, em São Luís. A obra do PAC teve auditoria do TCU com 8 irregularidades graves e indícios de superfaturamento. Nas mensagens: “Presidente é foda mesmo. Rui negou e ele botou o pau na mesa”.









De acordo com as apurações divulgadas, as tratativas envolviam um contato direto e frequente entre a lobista e o próprio chefe do Executivo maranhense, a quem ela mantinha informado sobre o andamento e a liberação de obras e verbas federais.
A teia de mensagens e a relação com o governo maranhense
Registros de conversas detalham a desenvoltura de Luchsinger ao celebrar conquistas de repasses financeiros para o estado. Em uma das mensagens trocadas em meados de 2024, a lobista comunicou diretamente a Carlos Brandão a liberação de recursos voltados para intervenções estruturais na Avenida Litorânea.
Nas trocas de mensagens, também aparecem diálogos com figuras de destaque da administração estadual da época, a exemplo de Gilberto Lins, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). Nas conversas, Luchsinger gabava-se de sua influência junto ao alto escalão do governo federal para destravar pautas de interesse do estado, recebendo elogios efusivos de interlocutores locais pela agilidade nas articulações em Brasília.
Os repasses financeiros e conexões com empreiteiras
As investigações detalham que os pagamentos robustos direcionados à RL Consultoria, empresa pertencente a Roberta Luchsinger, contaram com a participação de construtoras com forte atuação em contratos públicos no Maranhão, como a EDP Infraestrutura e a Construservice, ligadas a Eduardo DP. Entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, os repasses fracionados e depósitos somaram os milhões investigados, gerando intensa movimentação de comprovantes de transferências bancárias e depósitos em espécie enviados por assessores locais à intermediadora e a seus familiares.
Além disso, as tratativas englobavam o monitoramento de recursos bilionários e repasses voltados para procedimentos de média e alta complexidade (MAC) no âmbito da saúde pública estadual, cujos ofícios e prioridades eram repassados por assessores e articulados junto a gabinetes em Brasília. O caso amplia o escrutínio sobre os métodos de liberação de verbas públicas e o papel de intermediários na captação de recursos federais por estados.
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa gerada por IA


















