Ao projetar a erradicação da fome para o término do mandato, o governo revisita velhos compromissos e prorroga prazos para a entrega de resultados concretos à população
A estratégia discursiva do governo federal voltou a recorrer a analogias agrícolas para justificar o ritmo de entregas das políticas sociais e econômicas do país. Em pronunciamento, o petista Lula da Silva reiterou promessas históricas sobre o combate à escassez de alimentos, condicionando a consolidação das metas ao término do seu mandato, estabelecido para o final de 2026.
Promessas Revisitadas: O Direito às Refeições Diárias
No discurso apresentado, o chefe do Executivo enfatizou seu compromisso em garantir que todas as crianças, mulheres e homens brasileiros tenham acesso a pelo menos três refeições diárias. Lula defendeu que aqueles que trabalham têm o direito de consumir alimentos de qualidade e comer o que desejarem.
A declaração projeta para 31 de dezembro de 2026 o prazo final para a erradicação completa da fome no país, prometendo que a população assegurará três refeições ao dia e, para os que assim preferirem, até mesmo uma quarta refeição. A fixação da meta para o último dia de seu mandato levanta questionamentos sobre a prorrogação contínua de prazos para a resolução de demandas essenciais que historicamente pautaram a sua trajetória política.
A Narrativa dos Anos de Plantio e a Colheita Adiada
Para explicar o andamento das ações estatais, o presidente recorreu a uma metáfora sobre as etapas da agricultura:
- 2023 (Preparo do Solo): Definido como o período inicial em que a terra foi arada, adubada e a semente foi lançada e coberta.
- 2024 e 2025 (Transição e Replantio): Apresentados alternadamente como momentos para iniciar a colheita do que foi semeado, ao mesmo tempo em que novos ciclos de cultivo exigiram novos esforços.
- 2026 (O “Ano da Colheita”): Classificado como o marco definitivo em que o país colherá integralmente os frutos das reformas, do trabalho e da reconstrução iniciada no primeiro ano de gestão.
A insistência na retórica do “trabalho duro” e da “preparação do solo” serve de pano de fundo para adiar a cobrança por resultados imediatos. Ao remeter os benefícios palpáveis para o término de 2026, a gestão atual transfere para a reta final do governo a responsabilidade de cumprir promessas que há anos formam a base do seu discurso político.

















