Em entrevista inédita, deputado detalha o planejamento estratégico, o convencimento do irmão e os cuidados para blindar a campanha contra o cerco judicial no Brasil
Em uma entrevista concedida à imprensa argentina, o deputado federal Eduardo Bolsonaro revelou, pela primeira vez, detalhes profundos sobre a escolha de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República. A conversa abordou desde a concepção da ideia nos Estados Unidos até as barreiras estratégicas e políticas enfrentadas para consolidar o nome de Flávio na corrida eleitoral contra a esquerda.

A Concepção da Ideia e o Convencimento de Flávio
De acordo com Eduardo, a iniciativa de lançar Flávio à presidência partiu dele próprio e de seus aliados nos Estados Unidos. No entanto, o processo inicial exigiu um esforço de convencimento, uma vez que Flávio não possui perfil ambicioso ou obsessão pelo poder máximo. Após alinhar a estratégia, a proposta foi apresentada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Cenário de Nomes na Direita e o Perfil de Flávio
Inicialmente, diversos nomes figuravam nas cogitações da direita, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O próprio Eduardo chegou a ser ventilado nas pesquisas devido à sua forte identificação com a militância e a batalha cultural, área na qual ele se autodenomina o “Agustin Lage” da família. Em contrapartida, Flávio, atuando como senador em Brasília, ocupa uma posição de projeção institucional mais elevada.
Blindagem contra Ações Judiciais
A escolha estratégica por manter a indicação fora dos holofotes iniciais teve um propósito de segurança jurídica. Eduardo apontou que, se Flávio tivesse sido apontado por Jair Bolsonaro desde o princípio como candidato oficial, o ministro Alexandre de Moraes possivelmente teria agido contra ele da mesma forma que atuou contra o próprio Eduardo, instaurando processos judiciais para removê-lo da disputa.
Descrença Inicial e a Carta de Jair Bolsonaro
Quando Flávio veio a público em dezembro apresentando uma carta assinada por seu pai formalizando sua candidatura, a reação inicial do cenário político foi de profunda incredulidade. Muitos analistas e opositores avaliaram o movimento de forma estritamente tática, acreditando que se tratava de uma manobra para negociar condições prisionais mais brandas para o ex-presidente junto à Suprema Corte, e não de uma candidatura real. Com o passar do tempo, contudo, a candidatura se sedimentou e unificou o apoio de toda a direita.
Apoio Internacional de Javier Milei e Alerta sobre Perseguições
Durante a entrevista, Eduardo expressou profunda admiração pelo presidente argentino Javier Milei, destacando sua originalidade, coragem e sinceridade. Milei esteve presente na oficialização da campanha de Flávio no final de julho, um gesto considerado disruptivo que incomodou profundamente o espectro político da esquerda.
Eduardo também fez um paralelo sobre os riscos enfrentados por líderes conservadores, caracterizando as ações da esquerda — cujos ídolos históricos incluem Fidel Castro, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Daniel Ortega, Mao Tsé-Tung e Pol Pot — como detentoras de uma lógica estritamente mafiosa. Segundo o parlamentar, a perseguição política visa não apenas a vingança, mas também enviar um recado intimidador para que nenhum outro líder de direita ouse trilhar o caminho de reformas e liberdade desbravado por figuras como Milei.

















