Polícia Civil e MP-RJ deflagram ação contra esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões do tráfico e identificam possíveis transações ligadas a estrutura financeira do grupo terrorista
A “Operação Hawala”, deflagrada na manhã desta quarta-feira (15), investiga uma possível ligação entre as principais facções criminosas brasileiras — PCC, Comando Vermelho (CV) e TCP — e a Al-Qaeda, um dos maiores grupos terroristas do mundo.

De acordo com as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, uma organização criminosa atuava como “prestadora de serviços” para o crime organizado e teria movimentado mais de R$ 100 milhões oriundos do tráfico de drogas e do comércio de produtos falsificados.
A ação cumpre dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e na cidade de Foz do Iguaçu (PR).
Até o momento, dez pessoas foram presas. Entre os principais alvos está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada como uma das operadoras financeiras centrais do esquema, que teria movimentado dezenas de milhões de reais em valores incompatíveis com sua capacidade financeira declarada. Ao todo, o MP denunciou 22 pessoas à Justiça.
Um dos eixos centrais da Operação Hawala é a identificação de uma possível conexão financeira com a Al-Qaeda. Os investigadores descobriram relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por integrar estrutura financeira do grupo terrorista.
As apurações também apontam para um núcleo de empresários de origem libanesa, incluindo os irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, com atuação na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) — área historicamente monitorada por órgãos internacionais como polo de operações logísticas e financeiras de grupos terroristas.
Os agentes consideram que o possível elo com o terrorismo internacional será aprofundado nas próximas etapas da investigação, com análise detalhada dos materiais apreendidos.
O esquema de lavagem de dinheiro utilizava dezenas de empresas de fachada, “laranjas”, depósitos fracionados em espécie, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas e a atuação de um contador responsável por dar aparência de legalidade às operações e omitir comunicações ao Coaf.
A Justiça determinou o bloqueio de ativos e indisponibilidade de bens dos envolvidos.
Fonte: CNN BRASIL / SBT NEWS

















