Requerimento liderado por deputado do PL apura fraudes bilionárias e possíveis envolvimentos de autoridades
A oposição no Congresso Nacional alcançou nesta quarta-feira (31/12) o quantitativo mínimo de assinaturas para protocolar o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Banco Master.
O requerimento, liderado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), obteve o apoio de 28 senadores e 177 deputados federais.
A instalação da CPMI agora depende da decisão do presidente do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que precisa ler o requerimento em sessão conjunta para encaminhá-lo ao plenário.
O documento propõe uma comissão composta por 30 membros – 15 senadores e 15 deputados –, com prazo inicial de 180 dias, prorrogável.
O texto do requerimento enfatiza a necessidade de apurar “fatos determinados de extrema gravidade relacionados ao Banco Master, envolvendo indícios de fraudes financeiras de elevada sofisticação, prejuízos bilionários estimados em mais de R$ 12,2 bilhões, riscos concretos ao patrimônio público, potenciais impactos previdenciários e sociais, bem como eventual participação ou conivência de agentes públicos e autoridades de alta relevância institucional”.
Contexto das fraudes e liquidação da instituição
O caso ganhou repercussão entre aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) após a divulgação de contrato no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões a partir de 2024.
Na segunda-feira (29/12), a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou pedido de investigação contra o ministro, alegando ausência de ilicitude.
O Banco Master, pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em novembro, após identificação de irregularidades graves, incluindo insolvência e fraudes.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, que apura emissão de títulos de crédito falsos, mas foi liberado posteriormente com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
As investigações tramitam no STF sob relatoria do ministro Dias Toffoli, com sigilo decretado.
Essa mobilização da oposição reforça pressões por transparência no caso Banco Master, destacando riscos ao sistema financeiro e possíveis conexões com figuras públicas.
A efetiva instalação da CPMI Banco Master dependerá da agenda do Congresso e da postura de Davi Alcolumbre no início dos trabalhos legislativos de 2026.


















