Lobista ligada a Lulinha acumulou mais de 40 reuniões ocultas em órgãos federais e levantamento aponta que encontros de Roberta Luchsinger com autoridades no Planalto e ministérios ficaram fora das agendas oficiais
As investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre esquemas de fraudes e lobbies políticos ganharam novos desdobramentos financeiros. Relatórios anexados aos inquéritos apontam que uma empresa vinculada às articulações atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — filho do petista Lula da Silva —, realizou um repasse no valor de R$ 150 mil para a empresária Roberta Luchsinger.

De acordo com os documentos levantados pelos investigadores, a transação financeira passa a integrar o escopo de análises sobre a circulação de recursos entre intermediários, consultorias e aliados políticos. A apuração busca rastrear a origem e o destino final de verbas ligadas a contratos de lobby e facilitação de negócios que entraram na mira das autoridades competentes.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal revelam ainda que a empresária e lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha), realizou mais de 40 visitas a órgãos federais sem o devido registro nas agendas públicas de autoridades.

A empresária e lobista Roberta Luchsinger efetuou transferências financeiras a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de janeiro de 2023 até 21 de julho. Os montantes enviados por ela alcançaram dezenas de milhares de reais, embora os valores precisos e os motivos dessas operações ainda não estejam totalmente esclarecidos — as informações completas encontram-se sob análise da Polícia Federal. A notícia começou a se espalhar em Brasília há aproximadamente duas semanas, logo após a saída de Marcola do Planalto determinada por Lula.
Não foi possível confirmar os valores exatos nem a periodicidade dos pagamentos realizados por Roberta a Marcola. Fontes ouvidas pelo Poder360 mencionaram quantias na faixa dos R$ 80 mil, mas esse dado não pôde ser verificado. O ex-assessor gozava de absoluta confiança do presidente, a quem acompanha há vários anos. Entre suas atribuições estavam a organização da agenda de compromissos de Lula e o atendimento das ligações recebidas em um celular oficial destinado ao chefe.
Figura conhecida nos círculos políticos de Brasília, Roberta figura nas investigações sobre irregularidades na Previdência Social e prestou serviços a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso desde 12 de setembro de 2025.
Por intermédio de seu advogado, Roberta declarou desconhecer o assunto e afirmou que só se pronunciará nos autos do processo em que é mencionada. O Palácio do Planalto e Marcola foram contatados, mas não se manifestaram. Esta reportagem será atualizada caso haja algum posicionamento oficial.
Roberta mantém também estreita amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No início das apurações sobre as fraudes no INSS, em abril de 2025, ambos foram apontados como possíveis envolvidos no esquema — o que os dois negam. Lulinha responde a três inquéritos, um deles instaurado pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Em 4 de dezembro de 2025, o Poder360 noticiou que ele é investigado por ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.





Durante as investigações, a PF já identificou pelo menos seis viagens em que as reservas de Roberta e Lulinha compartilhavam o mesmo código localizador: uma viagem a Portugal em junho de 2024 e outros cinco trechos domésticos realizados entre abril e junho de 2025. Essas coincidências são interpretadas pela polícia como indícios da proximidade entre os dois.

Os encontros ocorreram em ministérios e no Palácio do Planalto, envolvendo a circulação de empresários e sócios. O material é apurado em inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência na administração pública.
Fonte: Metrópoles / Estadão


















