Registros de WhatsApp obtidos por colunista mostram trocas de mensagens onde a interlocutora menciona o termo “aero Lula”, exibe fotos na sede do Executivo e cita proximidade com figuras centrais da política nacional, contrastando com negativas anteriores do próprio petista Lula
Novas evidências vindas à tona por meio de trocas de mensagens de WhatsApp colocam sob holofotes a atuação da lobista Roberta Luchsinger. O material expõe conversas em que ela se vangloriava de utilizar aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) — mencionando informalmente a expressão “aero Lula” —, além de relatar frequentes acessos restritos a dependências do governo federal, como o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada.






O conteúdo detalhado das conversas aponta que os registros de ostentação de privilégios de trânsito e transporte oficial ocorreram em diferentes datas, gerando forte repercussão nos bastidores políticos de Brasília.
O termo “aero Lula” e os registros de entrada no Planalto
De acordo com o material divulgado, em março de 2023, Roberta Luchsinger enviou mensagens à sua mãe relatando ter se deslocado para a capital federal a bordo do que chamou de “aero Lula”. Ao ser questionada se o termo se referia efetivamente ao avião presidencial, ela respondeu de maneira direta: “Avião do Lula kkkkk”. Na sequência imediata da conversa, a lobista compartilhou uma fotografia registrada de dentro das instalações do Palácio do Planalto.
A veracidade temporal de parte dos deslocamentos relatados encontrou respaldo em dados oficiais obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Os registros oficiais de controle de acesso confirmam que Roberta Luchsinger esteve fisicamente no prédio da sede do Executivo federal em 22 de março de 2023, às 15h37.
Mensagens citam proximidade e referências familiares
As conversas recuperadas também trazem menções explícitas a autoridades e círculos de poder. Em diálogos datados de junho de 2025, por exemplo, Luchsinger escreveu a uma advogada afirmando estar dentro do Palácio do Planalto, especificamente na chamada “sala do pai do Fábio” — uma referência indireta ao presidente da República. Em outros trechos de interações via aplicativo, ela reiterava ter estado em reuniões e acompanhado compromissos na companhia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O contraste com a negação oficial
As revelações contidas nas mensagens de texto entram em rota de colisão direta com posições públicas assumidas pelo próprio chefe do Executivo. Em 27 de agosto de 2026, durante sabatina concedida ao Jornal Nacional, da TV Globo, o petista Lula da Silva negou categoricamente qualquer tipo de relação com a lobista.
Na ocasião, ao ser questionado sobre o assunto, Lula declarou enfaticamente:
“Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, afirmou o presidente, que também rotulou Roberta Luchsinger de “pilantra” durante a entrevista.
O descompasso entre o teor ufanista das mensagens trocadas no aplicativo de mensagens e a declaração de total desconhecimento por parte do Palácio do Planalto passa a integrar o escopo de investigações e debates sobre o tráfego de influências e o uso de facilidades institucionais por intermediários nos bastidores do poder em Brasília.
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa gerada por IA


















