É uma ótima locação para o mercado imobiliário, diz Trump
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou nesta quinta-feira (22 de janeiro de 2026) seu ambicioso plano para a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de conflito.


O anúncio ocorreu no lançamento do Conselho de Paz, iniciativa americana para supervisionar a transição e o desenvolvimento do território palestino.
Trump, destacando sua experiência no setor imobiliário, enfatizou o potencial da região costeira:
– Sou um profissional do ramo imobiliário de coração, e tudo se resume à localização. Eu disse: olhem para este local à beira-mar, olhem para esta bela propriedade. (…) É uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar.
O genro do presidente, Jared Kushner, apresentou slides com o “master plan” para o que chamou de “Nova Gaza”. O projeto prevê a divisão do território em zonas residenciais, industriais e turísticas, incluindo a construção de 180 arranha-céus voltados para o turismo ao longo da costa mediterrânea e 100 mil unidades habitacionais em Rafah, no sul da Faixa, próximo à fronteira com o Egito.
Kushner reforçou a importância da segurança como base para qualquer investimento:
– A prioridade número um será a segurança – obviamente, estamos trabalhando em estreita colaboração com os israelenses para encontrar uma maneira de reduzir a tensão, e a próxima fase é trabalhar com o Hamas na desmilitarização. Sem segurança ninguém fará investimentos, ninguém irá construir lá. E nós precisamos deles para conseguir começar a gerar empregos; 85% da renda de Gaza vem de assistência há muito tempo. Isso não é sustentável, não traz dignidade nem esperança para que essas pessoas tenham uma vida melhor.
A visão remete à proposta anterior de transformar Gaza na “Riviera do Oriente Médio”, ideia divulgada por Trump em fevereiro de 2025.
Na ocasião, ele compartilhou um vídeo gerado por inteligência artificial mostrando o território como um complexo de luxo com praias, resorts, iates e até uma estátua dourada gigante de si mesmo, gerando forte controvérsia internacional.
A proposta enfrentou críticas imediatas. Líderes palestinos, agências da ONU e organizações de direitos humanos condenaram qualquer sugestão de transferência forçada de população, classificando-a como potencial crime de guerra.
A agência de direitos humanos da ONU reiterou que transferências forçadas de palestinos são estritamente proibidas.
O plano integra o Conselho de Paz lançado por Trump, que já conta com adesões de diversos países, mas também atrai questionamentos sobre sua viabilidade, governança e alinhamento com o direito internacional.
Detalhes sobre custos, prazos exatos e mecanismos de financiamento ainda não foram plenamente divulgados.


















