Donald Trump recebe María Corina Machado na Casa Branca de forma discreta, com entrega de medalha do Nobel da Paz
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, foi recebida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca na quinta-feira (15/1), em um encontro marcado por discrição e baixo perfil público.
A visita, a primeira de Machado à presidência americana desde a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, ocorreu sem divulgação oficial de fotos pela Casa Branca ou comunicados conjuntos, o que a posicionou como uma “visitante em segundo plano” na agenda de Trump.
O encontro, que durou pouco mais de uma hora, incluiu uma conversa privada no Salão Oval, seguida de uma visita de Machado ao Capitólio, onde ela foi cercada por jornalistas e manifestantes venezuelanos que a receberam com entusiasmo em frente à Casa Branca.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que Trump estava ansioso pelo diálogo.
“Sei que o presidente estava ansioso por este encontro e esperava que fosse uma conversa proveitosa e positiva com a senhora Machado, que é realmente uma voz notável e corajosa para muitos venezuelanos.”
Leavitt também reforçou que a avaliação do presidente sobre a situação na Venezuela permanece inalterada, com base em informações de assessores e da equipe de segurança nacional.
“Foi uma avaliação realista baseada no que o presidente estava lendo e ouvindo de seus assessores e da equipe de segurança nacional, e, neste momento, sua opinião sobre o assunto não mudou.”
O ponto alto da reunião foi a entrega simbólica da medalha do Prêmio Nobel da Paz por parte de Machado, que dedicou a honraria a Trump em reconhecimento ao seu suposto compromisso com a liberdade venezuelana. A líder opositora explicou o gesto com uma referência histórica.
“Entreguei a medalha, o Prêmio Nobel da Paz, ao presidente dos Estados Unidos. Eu lhe disse o seguinte: 200 anos atrás, o General (Marquês de) Lafayette deu a Simón Bolívar uma medalha com a efígie de George Washington. Bolívar guardou a medalha pelo resto da vida. Duzentos anos depois, o povo de Bolívar entrega ao herdeiro de Washington uma medalha, neste caso, a medalha do Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento ao seu compromisso singular com a nossa liberdade.”
“Contamos com o presidente Trump para a liberdade da Venezuela.”
Trump confirmou posteriormente em postagem nas redes sociais o recebimento da medalha, descrevendo-o como um “gesto maravilhoso de respeito mútuo” e chamando Machado de “mulher maravilhosa que passou por muita coisa”. No entanto, o Comitê Nobel Norueguês esclareceu que o prêmio não pode ser transferido ou compartilhado.
O tratamento reservado reflete ceticismo de Trump sobre o apoio interno de Machado na Venezuela, especialmente entre forças armadas e polícia, apesar de sua legitimidade popular.
Do lado venezuelano, a presidente interina Delcy Rodríguez reagiu ao encontro com tom diplomático, afirmando:
“Sabemos que eles são muito poderosos, sabemos que são uma potência nuclear letal (…). Não temos medo de enfrentar diplomaticamente por meio do diálogo político, como corresponde.”
O episódio ocorre em um contexto de transição política na Venezuela pós-Maduro, com os EUA mantendo pressão via sanções ao petróleo e buscas por estabilidade.
O encontro reforça o reconhecimento internacional de María Corina Machado como figura chave da oposição, mas expõe tensões sobre o futuro do país.


















