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Master pagou R$ 304,5 milhões a escritórios de advocacia em 2025

Maior valor foi para banca ligada à esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF; pagamentos ocorreram em meio a negociações de venda da instituição e tentativas de evitar liquidação pelo Banco Central

O Banco Master pagou cerca de R$ 304,5 milhões a advogados e escritórios de advocacia ao longo de 2025. Os valores constam da Declaração de Imposto de Renda da instituição enviada à Receita Federal e foram obtidos pela CNN Brasil. Os dados foram encaminhados à CPI do Crime Organizado do Senado.

Fonte Isabel Mega, Elijonas Maia, Leonardo Ribeiro da CNN BRASIL

De acordo com o levantamento, pelo menos 98 escritórios receberam recursos do banco naquele ano. Os pagamentos referem-se a impostos retidos na fonte, declarados logo após a emissão de notas fiscais de prestação de serviços.

O maior montante foi direcionado ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados, escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Somente em 2025, o banco transferiu cerca de R$ 40,1 milhões para essa banca. No total, em dois anos, o escritório ligado à família do ministro recebeu R$ 80,2 milhões.

O escritório Barci de Moraes informou que “não confirma informações incorretas e vazadas ilicitamente”. Viviane Barci de Moraes já havia reconhecido publicamente a prestação de serviços ao Master. Em nota divulgada em março, ela afirmou ter prestado “ampla consultoria e atuação jurídica”, com uma equipe de 15 advogados, subcontratação de outros três escritórios e a realização de 79 reuniões na sede do banco.

Outros nomes de destaque na lista incluem o escritório do ex-presidente da OAB Marcus Vinicius Furtado Coelho e o Warde Advogados, do advogado Walfrido Warde. Warde deixou a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em janeiro de 2026, em meio a investigações sobre fraudes bilionárias no banco, por divergências estratégicas. O escritório informou que “observa o sigilo das relações entre cliente e advogado”. Marcus Vinicius Furtado Coelho não se manifestou até o momento.

A lista também registra pagamentos ao escritório do ex-presidente Michel Temer (R$ 10 milhões declarados), ao do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski (R$ 2,3 milhões) e ao do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda (R$ 1 milhão).

Michel Temer confirmou o recebimento, mas corrigiu o valor: “Desde que deixei a vida pública reassumi meu escritório de advocacia. Entre os clientes que atendi estava o Banco Master. Como já declarei publicamente, não é segredo para ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5 milhões”.

Antônio Rueda, por meio da assessoria do União Brasil, explicou que os serviços foram “estritamente técnicos”, com “dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil manifestações nos autos e aproximadamente 400 acordos realizados ao longo do período. Trata-se de atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no país, sem qualquer interferência da atuação pública de Antonio Rueda em relações privadas de natureza jurídica”.

Esses vultosos pagamentos a bancas de advocacia coincidem com o período em que o Banco Master negociava uma possível venda, enquanto enfrentava pressões para reestruturação e risco de liquidação pelo Banco Central. Em 2025, o BRB (Banco de Brasília), controlado pelo Governo do Distrito Federal, chegou a formalizar tentativa de compra da instituição. Um ano antes, em 2024, o banco público já havia adquirido R$ 8 bilhões em carteiras de crédito do Master.

Fonte: CNN BRASIL

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