Alimentação acumula alta de mais de 80% desde a pandemia, enquanto renda extra não se traduz em maior poder de compra; especialistas apontam que despesas essenciais consomem fatia cada vez maior do salário
A alta nos preços dos itens básicos continua a pressionar o orçamento das famílias brasileiras, contribuindo diretamente para o avanço do endividamento mesmo em um cenário de renda média crescente e desemprego baixo. De acordo com levantamento da Tendências Consultoria, as despesas essenciais vêm reduzindo o espaço para consumo, lazer e poupança nos últimos seis anos.

Desde 2020, a alimentação — principal gasto doméstico — acumula alta de 83,1%, superando em muito a inflação média do período, que ficou em 41,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo intervalo, aluguéis subiram 51,1% e medicamentos e serviços de saúde, incluindo planos, encareceram 55%.
Com maior parte da renda comprometida com contas fixas, as famílias recorrem mais ao crédito, o que elevou o endividamento para patamares recordes. Hoje, as dívidas comprometem cerca de 30% da renda familiar.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que a alimentação passou a representar 28,6% do orçamento das famílias de baixa renda, ante 25,8% em 2020. No mesmo período, o rendimento médio avançou 12% acima da inflação, mas sem reflexo proporcional no poder de compra.
Outros itens essenciais registraram aumentos expressivos nas últimas décadas. A conta de luz acumulou alta de 401,4% entre 2000 e 2024, acima da inflação média. Água subiu 621% e gás, mais de 700% no período.
O governo federal tenta mitigar o impacto com programas como o Novo Desenrola, mas economistas alertam que o alívio depende também do controle da inflação de itens básicos e da educação financeira das famílias.
Fonte: Revista Oeste


















