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Indústria brasileira perde R$ 39 bilhões por ano com infiltração do crime organizado

Sondagem revela que ‘pejotização do crime’ afeta um terço das empresas, aumenta custos de segurança e eleva riscos de sanções internacionais

A infiltração de facções criminosas no setor formal da economia está gerando prejuízos bilionários para a indústria brasileira. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o crime organizado causa perdas anuais de cerca de R$ 39 bilhões em receita para o setor.

Fonte: Thaís Barcellos, Eduardo Gonçalves do O Globo

A sondagem especial “Brasil Legal”, realizada com 1.398 empresas de 32 segmentos industriais, aponta que 31% das indústrias foram prejudicadas por atos ilícitos nos últimos dois anos. Os principais problemas incluem roubo de cargas, contrabando, descaminho, contrafação e comercialização de produtos fora das normas técnicas. 

O fenômeno, conhecido como “pejotização do crime”, refere-se à estratégia de organizações criminosas — como o PCC — de criar estruturas empresariais para atuar no mercado formal, com logística transnacional e capacidade de lavagem de dinheiro. Um superintendente da CNI destacou: “O problema não é mais o contrabandista artesanal, o falsificador de fundo de quintal. São organizações criminosas com estrutura empresarial”.

Pequenas e médias empresas sentem o impacto com maior intensidade relativa no faturamento, mesmo que grandes companhias sejam mais frequentemente alvo de ocorrências. Para metade das empresas afetadas, a principal consequência foi a perda de receita bruta. Outros efeitos incluem redução de market share e aumento dos gastos com segurança.

Curiosamente, os custos com prevenção (segurança patrimonial e cibernética) superam as perdas diretas: chegam a R$ 68,5 bilhões ao ano, equivalentes a 1,1% da receita líquida das empresas.

O comércio eletrônico já se tornou o segundo principal canal de distribuição de produtos ilícitos, o que exige das empresas maior investimento em inteligência digital e monitoramento de marcas.

A maioria das indústrias consultadas (77%) aponta a ampliação da fiscalização como a principal solução. Outras demandas incluem mais investimentos em inteligência (46%) e endurecimento da legislação (36%). Há ainda forte apelo por reforço das polícias estaduais, Federal e da Receita Federal.

Especialistas alertam que a persistência desse cenário pode comprometer investimentos, geração de empregos e, inclusive, elevar o risco de sanções internacionais, como as dos Estados Unidos, devido à infiltração de capitais ilícitos no comércio formal.

Fonte: O Globo

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