Documentos de inteligência obtidos pelo Supremo Tribunal Federal revelam que a corporação fiscalizou passos do advogado-geral da União, Jorge Messias, criticando decisões jurídicas sobre investigações envolvendo o filho do petista Lula
A crise institucional entre órgãos de cúpula do governo federal e o Poder Judiciário ganhou um novo e explosivo capítulo. Em manifestação detalhada sobre o monitoramento conduzido pela Polícia Federal (PF), o ministro André Mendonça destacou que os relatórios de inteligência da corporação não pouparam nem mesmo o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. De acordo com os documentos analisados pelo magistrado, agentes federais cobraram abertamente uma postura de blindagem institucional em favor de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista Lula da Silva.

O escopo do monitoramento — classificado por Mendonça como um ato de contornos surreais — colocou sob escrutínio policial a decisão tomada por Jorge Messias de não interpor recursos contra uma determinação proferida pelo próprio ministro do STF em meio às investigações que miram o empresário. Nos papéis produzidos pela diretoria de inteligência da polícia, os analistas alegaram que o chefe da AGU teria priorizado a proximidade e o relacionamento institucional com o relator do caso em detrimento da mitigação de riscos políticos para o Palácio do Planalto.
A avaliação interna da PF sugeria, ainda de acordo com os trechos destacados na decisão, que tal postura por parte de Messias elevaria substancialmente o desgaste político em torno de seu nome, o que teoricamente poderia comprometer suas pretensões a uma futura indicação ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Para Mendonça, a investida da corporação ao julgar o mérito de atos que competem exclusivamente à discricionariedade do chefe do Executivo e de seus auxiliares diretos escancara o uso inadequado das estruturas de investigação e o avanço sobre searas que fogem à estrita competência policial.
O acirramento decorrente dessas revelações aprofunda o clima de instabilidade em Brasília, colocando em lados opostos setores da inteligência policial, o comando da AGU e alas expressivas da Suprema Corte, enquanto desdobramentos jurídicos e políticos continuam a movimentar o tabuleiro da República.
Fonte: Veja
*Imagem da capa gerada por IA


















