Novo reajuste nas tabelas de venda para distribuidoras encarece o combustível em R$ 0,45 por litro, acumulando uma sequência de altas consecutivas impulsionada por crises internacionais e instabilidade no Oriente Médio
O mercado de aviação civil brasileiro enfrenta um novo desafio financeiro com a virada do mês. A Petrobras anunciou um reajuste de 7,2% no preço médio do querosene de aviação (QAV) comercializado para as empresas distribuidoras. A medida, que entrou em vigor neste domingo (1º de novembro de 2026), representa um acréscimo direto de R$ 0,45 por litro em comparação aos valores vigentes no mês anterior.

O movimento da estatal consolida uma sequência preocupante para as contas das companhias aéreas: trata-se do quarto aumento consecutivo aplicado aos preços do combustível de aviação, penalizando ainda mais os custos operacionais do setor de transporte de passageiros e cargas no país.
Sequência de Altas e o Contexto dos Meses Anteriores
A trajetória recente do QAV tem sido marcada por forte volatilidade associada a cenários externos complexos. Nas apurações anteriores da estatal, o insumo já havia sofrido significativas pressões de alta:
- Outubro: Aumento expressivo de 11,7% no preço médio.
- Setembro: Elevação de 13,9% nas tabelas.
- Agosto: Reajuste moderado de 1,9%.
- Contraponto: O ciclo de alta atual é precedido por breves alívios no meio do ano, quando a Petrobras reduziu os valores em 14,2% em junho e 14,4% em julho.
Segundo os dados atualizados pelas tabelas mensais da companhia — que são revisadas sempre no primeiro dia de cada mês —, a escalada reflete de maneira direta as cotações internacionais do petróleo e derivados.
Fatores Globais: Conflitos Geopolíticos e o Mercado de Refino
Em notas oficiais divulgadas para explicar a dinâmica da precificação, a Petrobras atribuiu o reajuste à pressão exercida por fatores externos de grande impacto na matriz energética global:
- Tensões no Oriente Médio: A instabilidade geopolítica na região mantém o preço do barril de petróleo em patamares elevados (com o contrato Brent cotado na faixa de US$ 113), afetando cadeias logísticas vitais que historicamente escoam boa parte da oferta global de combustíveis.
- Guerra entre Rússia e Ucrânia: Os reflexos prolongados do conflito leste-europeu continuam a provocar restrições na capacidade de refino e processamento de derivados na região, estrangulando a oferta internacional de querosene.
A estatal destacou que, enquanto os mercados internacionais costumam aplicar revisões de preços em alta frequência — podendo chegar a ajustes diários devido à volatilidade rápida —, a metodologia de precificação interna busca amortecer oscilações abruptas no curto prazo. Contudo, a persistência da crise externa acaba por forçar a reprecificação para acompanhar as referências globais.
“Nesse contexto, as variações acumuladas desde o início do conflito têm sido superiores nos mercados internacionais às observadas no Brasil, indicando que o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo”, pontuou a empresa em seu comunicado oficial.
Impacto na Aviação Civil e Reflexos nas Passagens
O encarecimento contínuo do querosene acende um alerta vermelho na Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Historicamente, o QAV representava cerca de 30% a 32% de todas as despesas operacionais das companhias aéreas antes do agravamento dos conflitos internacionais. Com a disparada acumulada — que chega a aproximadamente 90% desde o início das crises no Oriente Médio e na Europa Oriental, conforme registros da entidade —, esse peso já ultrapassa a marca de 45% dos custos totais de voo.
Especialistas do setor econômico alertam que o repasse sucessivo e expressivo no insumo essencial à aviação corrói as margens das empresas do setor e pressiona a cadeia de custos, gerando preocupações sobre eventuais reflexos nos preços finais das passagens aéreas comercializadas aos consumidores nos próximos meses.
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa editada por IA

















