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STF determina investigação da PF sobre suspeita de interferência estrangeira nas eleições

Inquérito aberto por ordem do ministro Flávio Dino apura suposto financiamento externo, assimetria em algoritmos de redes sociais e interesses em minerais estratégicos 

Em decisão proferida nesta terça-feira, 27 de outubro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para apurar indícios de interferência estrangeira e financiamento irregular no processo eleitoral de 2026. A medida foca na verificação de suportes financeiros do exterior à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), na conduta de plataformas de tecnologia e no possível enquadramento de condutas contra a soberania nacional. 

O ministro justificou a abertura do procedimento ressaltando que o ordenamento jurídico brasileiro proíbe de forma taxativa o aporte de recursos econômicos estrangeiros em disputas eleitorais domésticas, bem como qualquer tipo de ingerência externa sobre as instituições e o pleito nacional. 

Eixos da Apuração Solicitada à Polícia Federal

A determinação judicial estabelece linhas específicas de investigação que deverão ser detalhadas no inquérito sob supervisão do STF: 

  • Suspeitas de Financiamento e Intermediação Estrangeira: A PF deverá apurar tratativas e ofertas de recursos, serviços ou vantagens econômicas vindas do exterior para a campanha de Flávio Bolsonaro. Entre os pontos citados na decisão estão negociações envolvendo a organização norte-americana Rockbridge Network e os empresários brasileiros Tallis Gomes e Pedro Sang para averiguar eventual atuação como intermediários.
  • Atuação de Algoritmos e Plataformas Digitais: A investigação vai examinar a distribuição de conteúdos e o alcance de publicações em redes sociais geridas por empresas como Meta e X (antigo Twitter). O objetivo é esclarecer se eventuais disparidades na entrega de material político decorreram de falhas técnicas ou de direcionamento deliberado para favorecer ou prejudicar candidaturas.
  • Relação com Minerais Críticos e Terras Raras: O inquérito busca averiguar se conversas ou sinalizações de apoio eleitoral envolveram acenos relativos à exploração e acesso a reservas brasileiras de terras raras e minerais estratégicos.
  • Publicações Impulsionadas e Mercados de Predição: A apuração também contempla o financiamento de postagens pagas em redes sociais baseadas em projeções de plataformas de apostas e mercados de predição, como o Polymarket, identificando a origem dos valores empregados.

Encaminhamentos Institucionais e Garantias Legais

A decisão do ministro Flávio Dino aciona órgãos de inteligência, fiscalização e controle do Estado para subsidiar a apuração: 

  • Notificação de Órgãos Oficiais: Foram comunicados da determinação a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central, a Receita Federal, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
  • Resguardo Institucional: A decisão destaca relatórios de inteligência que classificam a preservação da integridade eleitoral como prioridade de segurança nacional contra interferências externas.
  • Presunção e Esclarecimento: O STF ressaltou que a abertura do inquérito constitui medida necessária de checagem dos indícios apontados, não significando, neste estágio, condenação ou comprovação prévia de culpa dos nomes e empresas citados no processo.

Fonte: Carta Capital

*Imagem da capa editada por IA

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