Novos elementos coletados na quinta fase da Operação Compliance Zero, incluindo buscas contra o senador Ciro Nogueira, permitem que investigadores avancem sem depender da colaboração do banqueiro
Com as novas provas obtidas na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal avalia que pode concluir o inquérito do Caso Master mesmo sem a delação premiada de Daniel Vorcaro.

As descobertas recentes, especialmente os materiais apreendidos na quinta fase da operação — que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e outros aliados —, deram robustez ao conjunto probatório. Com isso, a delação do dono do Banco Master passou para segundo plano.
Investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) consideram que Vorcaro estaria tentando uma “colaboração seletiva”, omitindo nomes e o destino de parte do dinheiro oriundo da suposta fraude bilionária. A defesa do banqueiro foi avisada de que novas fases da operação não serão interrompidas para aguardar o acordo.
“As autoridades não descartam a possibilidade de rejeitar a proposta dos advogados de Vorcaro por falta de informações inéditas.”
Além das mensagens e documentos já obtidos, a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, e as buscas em endereços ligados a Ciro Nogueira fortaleceram o caso. Os investigadores também analisam os oito celulares e o computador apreendidos com o banqueiro.
Principais alvos da nova fase
- Ciro Nogueira: Mensagens interceptadas indicam supostos repasses mensais de até R$ 500 mil em troca de favorecimento no Congresso, além do pagamento de despesas como hospedagens, voos e restaurantes.
- Raimundo Neto: Irmão do senador, aparece como administrador de empresa suspeita de ser usada para repassar vantagens.
- Felipe Cançado Vorcaro: Integrante do núcleo financeiro-operacional da organização.
- Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho: Apontado como operador financeiro.
Daniel Vorcaro segue preso preventivamente desde março. A PF avalia que a investigação está longe do fim e deve pedir nova prorrogação do inquérito, que tem vigência até meados de maio. O relator é o ministro André Mendonça, do STF.
Ciro Nogueira negou as acusações e classificou a operação como perseguição política:
“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos.”


















